O corpo da cantora Preta Gil foi cremado no fim da tarde desta sexta-feira (25), no Cemitério e Crematório da Penitência, no bairro do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro. A cerimônia íntima foi precedida por um emocionante velório aberto ao público no Theatro Municipal, onde familiares, amigos e fãs prestaram suas últimas homenagens à artista, que morreu no domingo (20), aos 50 anos, nos Estados Unidos, vítima de complicações decorrentes de um câncer.
Segundo a assessoria de Gilberto Gil, a cremação foi um desejo manifestado pela própria Preta em vida. O corpo chegou ao Brasil na madrugada de quinta-feira (24), vindo de Nova York, e seguiu diretamente para o crematório, onde passou por preparação para o velório. Durante o translado até o local da cremação, o cortejo passou pelo chamado “Circuito de Carnaval de Rua Preta Gil”, instituído nesta semana por decreto da Prefeitura do Rio em homenagem à cantora.
Legado de empoderamento e representatividade
A despedida de Preta Gil ocorreu simbolicamente no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data que celebra as lutas e conquistas de mulheres negras. Figura essencial na defesa dos direitos das mulheres, do povo negro e da comunidade LGBTQIA+, Preta deixa um legado de coragem, autoestima e amor-próprio.
Além de seu talento como cantora, atriz e empresária, Preta Gil era reconhecida por sua atuação firme contra o racismo, a gordofobia e todas as formas de opressão. Sua trajetória pública foi marcada por discursos em prol da diversidade e inclusão, inspirando gerações a se aceitarem como são. A artista era filha do cantor Gilberto Gil e de Sandra Gadelha, e deixa o filho Francisco Gil, de 30 anos, e a neta Sol de Maria, de 9.
Homenagens no Theatro Municipal e cortejo emocionante
O velório reuniu grandes nomes da música, televisão e cultura brasileira. Gilberto Gil, visivelmente emocionado, esteve presente ao lado da esposa Flora Gil e outros familiares. Celebridades como Ivete Sangalo, Ludmilla, Taís Araújo, Sabrina Sato, Lulu Santos e Caetano Veloso passaram pelo Theatro Municipal para prestar solidariedade.
No saguão principal do teatro, um telão de LED exibia imagens marcantes da trajetória de Preta Gil, enquanto fãs levavam cartazes e entoavam canções eternizadas na voz da artista. O cortejo fúnebre, conduzido por um carro do Corpo de Bombeiros, percorreu as ruas onde Preta costumava desfilar com seu Bloco da Preta durante o carnaval, quando chegou a reunir mais de 750 mil foliões.
A comoção popular em torno da partida de Preta Gil reforça a importância de sua figura pública no cenário artístico e social brasileiro. Sua história de resistência, afeto e autenticidade continuará a ecoar por muitos carnavais.





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