Preta Gil e o Carnaval: veja como a cantora virou rainha da Mangueira e criou um dos maiores blocos do Brasil

Cantora marcou gerações com o Bloco da Preta, foi rainha de bateria da Mangueira e usou o Carnaval como palco de luta contra o preconceito e pela representatividade

A cantora Preta Gil deixou uma marca indelével no Carnaval do Rio de Janeiro, transformando a folia em palco de celebração, resistência e representatividade. Segundo reportagem do G1, a artista foi responsável por criar um dos maiores blocos de rua da cidade e também brilhou na Marquês de Sapucaí como rainha de bateria da tradicional Estação Primeira de Mangueira.

Fundado em 2009, o Bloco da Preta rapidamente se consolidou como um dos gigantes do Carnaval carioca. O auge veio em 2018, quando 760 mil foliões tomaram as ruas do Centro do Rio para acompanhar a mistura contagiante de axé, pop e outros ritmos, sempre com a presença de convidados especiais. Em 2016, o próprio Gilberto Gil, pai de Preta, subiu ao trio elétrico e fez a multidão vibrar.

O sucesso da iniciativa extrapolou os limites da capital fluminense. O bloco ganhou versões em São Paulo e Salvador, ampliando o alcance da proposta de Preta: uma festa inclusiva, vibrante e com forte apelo popular. “Muita gratidão, fico agradecendo a Deus, aos meus fãs, ao meu Rio de Janeiro, por terem transformado o Bloco da Preta em um fenômeno”, declarou ela na época.

Mas o Carnaval de Preta Gil também teve brilho na Sapucaí. Em 2007, a cantora foi coroada rainha de bateria da Mangueira, sua escola do coração. A emoção foi tamanha que ela descreveu a experiência como um sonho realizado. “Estou flutuando, estou no céu, estou amando tudo isso, é maravilhoso”, disse, emocionada.

Porém, nem tudo foi festa. Preta precisou enfrentar olhares e críticas por não se enquadrar nos padrões estéticos esperados no universo carnavalesco. Em 2020, ela relembrou os ataques que sofreu, mesmo pesando 20 kg a menos do que atualmente: “Ali eu já era considerada fora do padrão. Desde esse momento venho insistindo que a gente tem que ser o que a gente é, com o corpo que a gente quiser”.

Neste domingo, a Mangueira lamentou profundamente a morte da artista, que faleceu aos 50 anos nos Estados Unidos, após complicações no tratamento contra o câncer. “Preta foi e continuará sendo uma figura importante no ativismo social. Que seus familiares, amigos e fãs possam encontrar na beleza da sua trajetória algum conforto por sua partida”, disse a escola em nota oficial.

O legado de Preta Gil vai muito além da música. Ela transformou o Carnaval em palco de empoderamento e abriu caminhos para que outras vozes pudessem ecoar com força.

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