Lula apresenta proposta de cúpula entre Rússia e Ucrânia no G7

O presidente disse que nenhuma das partes conseguirá atingir seus objetivos pela via militar

Durante a cúpula do G7 na Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta sexta-feira (14) uma reunião de líderes mundiais com a Rússia e a Ucrânia, visando encerrar o conflito que já dura mais de dois anos. Lula sugeriu uma conferência de paz com base em um projeto conjunto entre Brasil e China, que prevê negociações entre delegações do Kremlin e de Kiev.

Em seu discurso, Lula condenou firmemente a invasão da Ucrânia pela Rússia e destacou que nenhuma das partes conseguirá atingir seus objetivos pela via militar, informa Jamil Chade, no UOL. Ele argumentou que somente uma conferência internacional, nos moldes da proposta de Brasil e China, poderia viabilizar a paz.

A proposta de Lula foi apresentada em meio à preparação para uma reunião na Suíça com mais de 90 países para debater a crise ucraniana, mas sem a participação dos russos. O presidente brasileiro recusou o convite para este evento, suspeitando que serviria apenas para apoiar a posição do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

A posição de Lula foi reforçada após o presidente russo Vladimir Putin sinalizar, pela primeira vez, disposição para negociar e suspender as hostilidades, desde que algumas de suas exigências fossem atendidas. Entre essas demandas estão a renúncia da Ucrânia à adesão à OTAN e a retirada das tropas ucranianas das regiões invadidas pela Rússia. Diplomatas ocidentais consideram essas exigências inaceitáveis, mas alguns negociadores de países emergentes veem nelas uma base para negociação.

A proposta de Lula ocorreu um dia depois do G7 anunciar um acordo sobre a utilização de recursos e ativos russos congelados no Ocidente, destinando 50 bilhões de euros aos ucranianos. O Kremlin classificou a medida como um “roubo”.

Antes da cúpula do G7, Lula conversou com Putin, sugerindo que a Rússia participe das negociações para um acordo político. O processo seria baseado em um documento assinado pelos assessores presidenciais Celso Amorim e Wang Yi, da China, no mês passado, que sugere a desescalada do conflito, troca de prisioneiros e condena o uso de armas nucleares.

Brasília acredita que Pequim, devido à sua influência sobre o Kremlin, pode ser crucial para facilitar as negociações. Lula defende que a diplomacia deve prevalecer sobre a violência, buscando fortalecer as instituições internacionais e os mecanismos de mediação para resolver conflitos globais. A iniciativa de Lula, embora recebida com cautela, adiciona uma nova dimensão aos esforços de paz e reforça o papel do Brasil na mediação de conflitos internacionais.

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