Presidente do Louvre pede demissão após roubo milionário e crise de segurança

Saída de Laurence des Cars ocorre meses depois de assalto que expôs falhas e pressionou gestão do museu mais visitado do mundo

A presidente do Museu do Louvre, Laurence des Cars, apresentou sua demissão ao presidente da França, Emmanuel Macron, que aceitou o pedido e classificou a decisão como um “ato de responsabilidade”, segundo comunicado do Palácio do Eliseu.

Segundo a presidência francesa, o museu atravessa um momento delicado e necessita de “tranquilidade e um novo impulso forte” para avançar em projetos estratégicos, entre eles iniciativas de segurança, modernização e o programa chamado Louvre – Nova Renascença. O plano foi anunciado por Macron em janeiro e prevê, entre outras medidas, a criação de uma nova entrada até 2031, já que a pirâmide inaugurada em 1988 é considerada hoje estruturalmente ultrapassada.

Demissão ocorre após pressão política e institucional

Des Cars, que em 2021 se tornou a primeira mulher a dirigir o Louvre, já havia colocado o cargo à disposição anteriormente. Dias depois do assalto ao museu, ela afirmou em audiência no Senado francês que entregara sua renúncia à ministra da Cultura, Rachida Dati, mas a saída não foi aceita naquele momento.

O Eliseu informou que Macron agradeceu a atuação da historiadora da arte e indicou que pretende aproveitar sua experiência científica em uma missão ligada à presidência francesa do G7, voltada à cooperação entre grandes museus internacionais.

Roubo relâmpago abalou credibilidade do museu

O episódio que desencadeou a crise ocorreu em 19 de outubro de 2025, quando quatro homens realizaram um assalto à luz do dia apenas meia hora após a abertura do museu. Utilizando um elevador de carga e uma minisserra elétrica, os criminosos executaram a ação em cerca de sete minutos.

Entre as peças roubadas estavam joias históricas ligadas à imperatriz Maria Luísa, esposa de Napoleão Bonaparte, além de itens pertencentes à rainha Hortênsia da Holanda e à rainha Maria Amélia da França. O conjunto tem valor estimado em US$ 102 milhões, o equivalente a mais de R$ 500 milhões.

O crime levantou questionamentos sobre a capacidade do Louvre de proteger seu vasto acervo e afetou a imagem do museu, considerado o mais visitado do planeta.

Greves e novos furtos ampliaram crise cultural na França

A tensão se agravou quando funcionários do Louvre entraram em greve entre 15 e 18 de dezembro, exigindo melhores condições de trabalho e reforço na segurança. O caso também ocorreu em meio a uma sequência de furtos em museus franceses, incluindo o desaparecimento de pepitas de ouro do Museu de História Natural de Paris e o roubo de porcelanas chinesas em Limoges.

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