Presidente da Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula, é exonerado da Alerj

Wallace Palhares foi demitido da Assembleia do Rio após polêmica com desfile sobre a trajetória de Lula na Sapucaí.

O presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado do cargo de assistente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na quarta-feira. A demissão foi assinada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Casa, e publicada no Diário Oficial Legislativo no dia seguinte. Não houve explicações sobre o motivo da demissão mas há especulações de que a polêmica sobre o enredo da escola pode ter sido a causa.

Estreante no Grupo Especial, a agremiação vai desfilar na Marquês de Sapucaí com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O tema narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desde a infância em Garanhuns (PE) até os mandatos à frente da Presidência da República.

O episódio ampliou a repercussão política em torno da escola às vésperas do Carnaval, em um momento de grande visibilidade para a agremiação, que fará sua estreia na elite do samba carioca.

Passagem pela Alerj e salários

Palhares havia ingressado na Alerj no ano passado e estava lotado na Comissão de Transportes, ligada ao gabinete do deputado Dionísio Lins (PP), vice-líder do governo Cláudio Castro na Casa. A informação foi apurada pelo site Poder360.

Dados oficiais da Assembleia mostram que ele recebeu R$ 7.961,34 em janeiro, valor que inclui vencimentos líquidos e benefícios. O montante é quase três vezes maior do que o registrado em abril de 2025, quando o salário foi de R$ 2.782,56.

Dionísio Lins também tem histórico de envolvimento com o Carnaval. No ano passado, o parlamentar entrou em confronto com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ao defender a ampliação do Grupo Especial de 12 para 15 escolas.

Desfile e presenças confirmadas

A Acadêmicos de Niterói será a primeira escola a entrar na Avenida no domingo de Carnaval, seguida por Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Entre os nomes já confirmados no desfile estão a atriz Juliana Baroni, que representará a ex-primeira-dama Marisa Letícia, e a atual primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.

Ainda não há confirmação se o presidente Lula participará do desfile. Procurada pela reportagem, a escola de samba não se manifestou sobre a exoneração de Palhares.

Nos bastidores, o enredo e o ensaio técnico da agremiação também viraram alvo de críticas de parlamentares da direita, após a exibição de imagens com referências irônicas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em telões na Marquês de Sapucaí.

Ações judiciais e debate sobre verba pública

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou uma denúncia no Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a Acadêmicos de Niterói por suposta propaganda eleitoral antecipada. No documento, a parlamentar questiona a utilização de verba pública pela escola de samba.

O valor citado se refere a um termo de cooperação técnica firmado entre Embratur e Liesa, que destina R$ 12 milhões às 12 escolas do Grupo Especial do Carnaval do Rio. Segundo a Liesa, o acordo prevê a distribuição igualitária de R$ 1 milhão para cada agremiação.

A entidade também informou que, em 2025, o apoio do governo federal ao desfile ocorreu via Ministério do Turismo, no mesmo valor total, igualmente repartido entre as escolas do Grupo Especial.

Reação política e novas ações

Além da iniciativa de Damares Alves, o deputado federal Kim Kataguiri (MBL-SP) ingressou com uma ação popular contra o repasse de R$ 1 milhão à escola de Niterói. Ele alega que o recurso pode ser utilizado para promover a imagem de Lula, pré-candidato à reeleição.

O parlamentar pediu a suspensão imediata do termo de cooperação, o bloqueio de novos repasses e a devolução dos valores já transferidos. A movimentação jurídica ampliou a pressão política sobre a agremiação.

Parlamentares da direita também reagiram ao ensaio técnico realizado na semana passada. As críticas se concentraram em projeções exibidas nos telões, que misturavam memes, frases e montagens com a imagem de Jair Bolsonaro em tom irônico, em diálogo com o samba-enredo que traz o verso “sem mitos falsos, sem anistia”.

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