Presença de facções em Magé ameaça liberdade do voto e deputado cobra reforço policial

Deputado Vinicius Cozzolino denuncia déficit de policiais militares, cobra reforço na segurança e defende mudança de locais de votação em áreas dominadas pelo crime organizado

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A presença de grupos criminosos em territórios do município de Magé, na Baixada Fluminense, deixou de ser apenas uma preocupação com a segurança pública e passou a levantar questionamentos sobre a liberdade do voto nas eleições. O alerta foi feito pelo deputado estadual Vinicius Cozzolino (PSD), que denunciou a falta de policiais militares no município e defendeu medidas para impedir que eleitores sejam submetidos à influência de organizações criminosas nos locais de votação.

Durante discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na quinta-feira (22), o parlamentar voltou a criticar o Comando-Geral da Polícia Militar pela situação do 34º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento de Magé e Guapimirim. Na quarta-feira (21), ele já havia cobrado providências do governo estadual para enfrentar o déficit de agentes na região.

Segundo Cozzolino, a escassez de policiais compromete o combate ao crime organizado e pode ter reflexos diretos no processo eleitoral, especialmente em comunidades onde há disputas territoriais ou presença de facções criminosas.

Territórios conflagrados

Ao relacionar a crise da segurança pública ao processo eleitoral, Cozzolino afirmou que a presença de organizações criminosas em determinadas localidades pode comprometer a liberdade dos eleitores. “Essa luta pelo efetivo da Polícia Militar também impacta nas eleições porque Magé também tem territórios conflagrados e a liberdade do eleitor está acima de qualquer coisa no pleito eleitoral”, declarou.

O deputado defendeu que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) avalie a possibilidade de transferir locais de votação situados em áreas conflagradas, como forma de reduzir riscos de intimidação e garantir o exercício do voto. “Nós não podemos admitir que haja locais de votação em territórios conflagrados. O TRE tem, o tanto quanto possível, que mudar esses locais”, afirmou.

A preocupação envolve a possibilidade de que a atuação de grupos armados interfira na circulação dos eleitores e no exercício livre do direito ao voto. Cozzolino também defendeu que o transporte coletivo funcione normalmente no dia da eleição, com oferta de ônibus equivalente à de um dia útil, para facilitar o deslocamento dos eleitores.

Batalhão perdeu quase metade do efetivo

A preocupação eleitoral se soma às denúncias sobre a estrutura da Polícia Militar na região. Segundo Cozzolino, o 34º BPM, que já chegou a contar com 600 policiais, opera atualmente com apenas 320 agentes, embora tenha um efetivo previsto de aproximadamente 550 militares.

A redução, conforme o deputado, compromete o funcionamento dos sete Destacamentos de Policiamento Ostensivo (DPOs) de Magé e de um posto de policiamento comunitário. “Até quando a população de Magé e Guapimirim ficará com as armas dos bandidos apontadas para sua cabeça?”, questionou.

O parlamentar também chamou a atenção para a composição da tropa. De acordo com os números apresentados por ele, o batalhão possui 87 subtenentes e apenas 26 soldados, além de 15 militares em abono de permanência, que podem se aposentar.

Para Cozzolino, os dados demonstram a necessidade de renovar o efetivo e destinar policiais recém-formados à região. Ele relatou ainda que, após um episódio de violência no distrito de Suruí, onde aponta forte presença do Comando Vermelho, mais de 50 policiais foram transferidos para outra unidade da corporação, sem que o batalhão recebesse reforço equivalente.

O deputado criticou os critérios utilizados na distribuição dos agentes, argumentando que o planejamento da segurança pública não pode considerar apenas estatísticas de roubos e outros delitos, mas também a presença territorial de organizações criminosas.

Cobranças ao governo e apelo a Douglas Ruas

Cozzolino afirmou que tenta obter reforço policial para Magé há meses. Segundo ele, em 13 de julho, entregou pessoalmente um ofício ao secretário estadual da Casa Civil, Flávio Willeman, durante reunião para tratar da situação do município.

Na ocasião, conforme o parlamentar, o secretário teria se comprometido a buscar uma resposta da Secretaria de Polícia Militar em até 48 horas. Entretanto, mais de três meses depois, o problema continuaria sem solução. “Não se passaram 48 horas, e sim praticamente mais de três meses”, criticou.

O deputado também mencionou iniciativas da prefeitura de Magé, administrada por Jamille Cozzolino, como a instalação de câmeras de videomonitoramento. Ressaltou, porém, que o policiamento ostensivo é responsabilidade do governo estadual. “Segurança pública não se faz com improviso, se faz com planejamento e seriedade”, afirmou.

As cobranças foram direcionadas também ao governador eleito Douglas Ruas (PL), que assumirá o Executivo estadual em 2027. Cozzolino lembrou que o futuro governador prometeu, durante a campanha, atuar na recuperação de territórios sob influência de organizações criminosas.

“Eu espero sinceramente que ele logre êxito nisso, porque é uma grande demanda da população, principalmente do município de Magé, do município de Guapimirim”, declarou. E acrescentou: “A Polícia Militar está reprovada, é nota zero para o que tem feito em relação ao 34º Batalhão e a Areal.”

Para Cozzolino, a recomposição do efetivo e a recuperação do controle territorial são medidas necessárias não apenas para reduzir a violência, mas também para assegurar que a população possa exercer seus direitos, inclusive o voto, sem sofrer pressões de grupos criminosos.

A Agenda do Poder procurou a Secretaria de Estado de Polícia Militar para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias feitas pelo deputado Vinicius Cozzolino. O espaço permanece aberto para manifestação, e a reportagem será atualizada assim que as informações solicitadas forem disponibilizadas.

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