Prefeitura de São Paulo inicia processo para sustar contratos com empresas de ônibus suspeitas de ligação com PCC

UPBus e Transwolff têm 15 dias para defesa; prefeito diz que será assegurado “direito ao contraditório”

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), assinou na sexta-feira (27) o despacho que abre processo para rescindir os contratos das empresas de ônibus UPBus e Transwolff, investigadas por ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambas têm 15 dias para apresentar defesa antes de possível decretação de caducidade, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. Caso os contratos sejam anulados, novas licitações serão realizadas.

“Esse é o início do processo, agora abre prazo para defesa e, após, dependendo da defesa, se decreta a caducidade. A Procuradoria do Município está fazendo tudo com muita cautela, com prazo para defesa e direito ao contraditório”, declarou Nunes.

A UPBus e a Transwolff estão no centro da Operação Fim da Linha, que revelou um suposto esquema de “infiltração” do PCC no setor de transportes. O presidente da UPBus, Ubiratan Antônio da Cunha, foi preso recentemente por descumprir medidas cautelares. O Ministério Público acusa as empresas de terem sido formadas com recursos ilícitos e controladas por uma rede de laranjas e CNPJs fantasmas.

Empresas receberam R$ 827 milhões da Prefeitura

Mesmo após as acusações tornarem-se públicas em 2022, as empresas receberam R$ 827 milhões da Prefeitura e firmaram novos contratos. No total, sete empresas do setor estão sob investigação, responsáveis por transportar 27,5% dos passageiros de ônibus da capital paulista e que receberam R$ 2 bilhões somente em 2023.

A Justiça já determinou o afastamento de 21 acionistas e diretores ligados às empresas e recomendou a intervenção da Prefeitura. Além disso, Nunes anunciou que a Transwolff não administrará mais os ônibus aquáticos na represa Billings, uma das áreas de operação do sistema.

Com informações do Estado de S.Paulo

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