O cenário das pré-candidaturas para as eleições de 2026 mantém um padrão já observado em pleitos anteriores: a baixa participação de mulheres nas disputas pelos principais cargos do Executivo. Até o momento, a corrida presidencial pode ocorrer sem nenhuma candidata, enquanto a presença feminina nas disputas pelos governos estaduais também é reduzida.
Apesar disso, os partidos têm intensificado o discurso voltado ao eleitorado feminino. Nomes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) têm destacado temas como feminicídio e violência de gênero, além de prometer políticas públicas voltadas às mulheres, como ampliação de creches e programas de renda. Alguns pré-candidatos também sinalizam a intenção de compor chapas com mulheres como vice.
Maioria do eleitorado, minoria nas candidaturas
Mesmo sendo maioria entre os eleitores — 52,47% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral —, as mulheres seguem com pouca presença nas disputas majoritárias. Levando em conta as pré-candidaturas já anunciadas, apenas 11 estados devem ter mulheres concorrendo ao governo.
Em diversos casos, a participação feminina tende a se concentrar nas disputas ao Senado, e há estados em que sequer há nomes femininos cotados. Na Bahia, por exemplo, os pré-candidatos ao governo são todos homens, sem mulheres também na disputa por vagas na Casa.
Falta de incentivo estrutural
A legislação eleitoral exige que ao menos 30% das candidaturas sejam de mulheres, mas essa regra se aplica apenas às eleições proporcionais, como para deputados e vereadores. Para cargos majoritários, como Presidência, governos estaduais e Senado, não há obrigatoriedade.
Segundo a cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, a ausência de regras específicas contribui para a baixa participação feminina. Ela aponta que decisões estratégicas continuam concentradas em lideranças partidárias majoritariamente masculinas, o que dificulta a ampliação da representatividade.
Espaço maior no Senado e vice
Diante desse cenário, partidos têm apostado em candidaturas femininas principalmente para o Senado e para compor chapas como vice. Em 2026, estarão em disputa duas vagas por estado para o Senado, o que amplia as possibilidades de participação.
No campo da direita, o PL tem buscado fortalecer nomes femininos, com articulações lideradas por Michelle Bolsonaro em estados como São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. Já na esquerda, há discussões sobre chapas com duas mulheres ao Senado em alguns estados, incluindo nomes como Simone Tebet e Marina Silva.
Cenários nos estados
Nos estados, a presença feminina varia. No Distrito Federal, a governadora Celina Leão deve disputar a reeleição, com apoio de aliados que também articulam candidaturas femininas ao Senado. Em São Paulo, há discussões sobre nomes como Rosana Valle.
No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) indicou uma mulher como vice em sua chapa, enquanto Benedita da Silva (PT) aparece como opção ao Senado. Em Minas Gerais, nomes como Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL) são cogitados.
Outros estados também apresentam movimentações, como o Rio Grande do Sul, onde Juliana Brizola (PDT) é pré-candidata ao governo e Manuela D’Ávila deve disputar o Senado.
Mesmo com avanços pontuais, o cenário geral indica que a presença feminina nas disputas majoritárias ainda enfrenta barreiras estruturais e políticas, mantendo a desigualdade de representação nas eleições.






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