Praça em Guadalupe vai levar o nome do ex-vereador Zico Bacana, assassinado em 2023

Praça na junção das ruas Clodoaldo de Freitas e Torquato Tapajós vai homenagear ex-parlamentar nascido, criado e com base política na região. Com trajetória controvérsia, ex-PM chegou a ser citado na CPI das Milícias

Uma praça inominada no bairro de Guadalupe, na Zona Norte, será nomeada em homenagem ao ex-vereador Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana, assassinado a tiros no mesmo bairro em agosto de 2023. A lei, de autoria do vereador Marcos Dias (PP), foi promulgada pela Câmara do Rio e publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (9).

A homenagem póstuma busca, segundo a justificativa do projeto, reconhecer a trajetória do ex-parlamentar com o bairro onde nasceu, foi criado e concentrou sua base política. Durante o mandato na Câmara, entre 2017 e 2020, Zico Bacana concentrou sua atuação em temas de infraestrutura e assistência social, especialmente em Guadalupe e Ricardo de Albuquerque — bairros nos quais, segundo a justificativa da nova lei, era visto como uma figura próxima da comunidade. A praça que agora vai levar o nome do político fica na junção da Rua Clodoaldo de Freitas com a Rua Torquato Tapajós. 

“Além das ações institucionais, Zico Bacana era conhecido pelo seu contato direto com os moradores, ouvindo suas necessidades e se dedicando a resolver problemas do cotidiano, mesmo após o término de seu mandato. Sua postura sempre foi de proximidade e dedicação à população, o que fez com que se tornasse uma figura respeitada e querida pelos habitantes de Guadalupe”, justifica o autor. 

Assassinato e investigação por envolvimento com milícia

Em agosto de 2023, Zico Bacana foi executado a tiros de fuzil em frente a uma padaria em Guadalupe. Seu irmão, Jorge Tavares, e um homem que passava pelo local, Marlon Correia dos Santos, também morreram no ataque. O crime, investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), segue sem solução. Em 2020, ele já havia sobrevivido a uma outra tentativa de assassinato.

“Sua vida foi interrompida de maneira trágica em circunstâncias violentas no próprio bairro que tanto defendeu. Nomear uma praça com seu nome não é apenas uma homenagem justa, mas também uma forma de manter viva a memória de alguém que dedicou sua vida ao bem-estar da comunidade”, defende Marcos Dias

Policial militar e paraquedista, o ex-edil teve seu nome ligado a polêmicas e controvérsias. Em 2008, ele foi um dos citados no relatório final da CPI das Milícias, da Alerj, que o apontava como chefe de um grupo paramilitar com atuação em Guadalupe e Ricardo de Albuquerque. Ele sempre negou as acusações e nunca foi condenado.

Em 2018, Zico também foi ouvido como testemunha na investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, com quem dividiu a legislatura na Câmara do Rio. Na época, a DHC investigava a presença de milicianos entre os assessores do vereador. Ele sempre negou qualquer relação com o crime e não houve nenhum indício de sua participação na morte da colega de parlamento. 

O ex-parlamentar também chegou a ser investigado por agressão em dois processos. Também chegou a ser acusado de constrangimento ilegal e posse irregular de arma de fogo em um procedimento instaurado em 2019. No entanto, o processo foi extinto pelo MP por prescrição do caso.

Em dezembro de 2023, Zico Bacana recebeu uma homenagem póstuma na Câmara do Rio, com a entrega da Medalha Pedro Ernesto, maior honraria da Casa. O título foi entregue a familiares do político por seu colega, Jair da Mendes Gomes (PRD).

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