Os deputados estaduais Filippe Poubel (PL) e Rodrigo Amorim (União Brasil) criticaram nesta quarta-feira (5) o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), por supostamente obrigar funerárias e cemitérios particulares a arcarem com os custos dos enterros das vítimas da megaoperação policial que deixou 121 mortos no dia 28 de outubro, entre eles quatro policiais.
As declarações foram feitas durante sessão plenária na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e gerou reação do líder do PSD, Luiz Paulo. Poubel afirmou ter recebido um e-mail da Coordenadoria-Geral de Controle de Cemitérios e Serviços Funerários da Prefeitura, que, segundo ele, determinaria a distribuição de gratuidades funerárias entre as agências e cemitérios do município após a operação policial.
O deputado chamou a medida de “benefício a criminosos” e disse que a prefeitura estaria privilegiando mortos envolvidos com o tráfico. Amorim reforçou as críticas e acusou o prefeito de agir “em prol do crime organizado”, afirmando que as gratuidades concedidas representariam “benesses custeadas pelo contribuinte”. O parlamentar também fez ataques políticos, associando o prefeito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governo federal.
Defesa da prefeitura por Luiz Paulo
O deputado Luiz Paulo, que pertence ao mesmo partido de Eduardo Paes, rebateu as acusações no expediente final da sessão. Ele explicou que cabe à prefeitura determinar o sepultamento de corpos não reclamados por familiares, uma obrigação prevista na legislação municipal.
“Se você tem uma operação em que ocorrem 121 óbitos, é claro que compete à Defensoria Pública solicitar que enterrem esses mortos. Os corpos não reclamados precisam ser sepultados, e as concessionárias de sepultamento estão sob a égide da prefeitura. Isso não é ato ideológico, é cumprimento de dever legal”, afirmou o parlamentar, classificando as críticas como “pífias”.
“Cumprimento de dever público, não ideologia”
Luiz Paulo, que foi secretário municipal de Obras entre 1989 e 1992, lembrou ainda que o serviço funerário é uma atribuição pública essencial. Ele disse que a prefeitura age conforme a lei e que a medida não tem relação com qualquer posicionamento político.
“Acusações pífias ao prefeito por ele estar dando assistência a corpos não reclamados e determinando que sejam sepultados é cumprimento de um dever, e não um posicionamento ideológico a favor de x, y ou z”, afirmou.
Clima tenso em plenário
O discurso do deputado encerrou uma sessão marcada por trocas de acusações e tensionamento político entre governistas e a oposição. Luiz Paulo lamentou o uso da pauta da segurança pública como instrumento eleitoral e disse que o debate sobre o tema precisa ser conduzido com equilíbrio.
“É triste que, em um dia de votações importantes, a sessão termine com discursos irados e insanos, como se a política fosse feita apenas com amor e ódio”, concluiu.






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