A investigação da morte do agente José Antônio Lourenço, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), ocorrida durante uma operação contra fábricas de gelo irregulares na Cidade de Deus, revelou que o policial foi atingido por um atirador solitário posicionado a curta distância e escondido atrás de uma seteira — buraco em muro ou parede preparado para tiros de grosso calibre. . A informação foi apurada pela TV Globo
Lourenço recebeu um disparo na cabeça e não resistiu. A Core, força de elite da Polícia Civil, liderava a ação que visava garantir a segurança para a chegada de equipes das delegacias do Consumidor e do Meio Ambiente, além de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), para vistoriar a fábrica investigada por produzir e comercializar gelo sem autorização.
Durante a operação, foram encontradas embalagens descartadas no chão, recipientes sujos e ausência da licença ambiental obrigatória. Segundo o governo estadual, o gelo produzido em uma das unidades abastecia quiosques na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes. Duas pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos. Além da fábrica na Cidade de Deus, outra unidade em Jacarepaguá também foi alvo da ação.
As embalagens apreendidas indicavam que o gelo era “próprio para consumo humano”, mas a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) utilizou um laboratório móvel para coletar novas amostras para análise. Os resultados ainda não foram divulgados.
Investigadores apontam que algumas dessas empresas clandestinas usavam água de poços sem licença ambiental e sem tratamento adequado, além de comercializarem água engarrafada ilegalmente com rótulos falsificados de marcas conhecidas. A Secretaria de Polícia Civil alerta que 70% das fábricas de gelo inspecionadas em 2024 apresentaram irregularidades, como excesso de amônia e condições precárias de higiene.
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, comentou sobre a dificuldade enfrentada pelas equipes: “Algumas dessas empresas se instalavam em comunidades dominadas por facções criminosas para evitar fiscalizações”. Ele reforçou ainda a gravidade do crime: “Os responsáveis podem responder por crimes contra a saúde pública e relações de consumo, com penas que podem chegar a oito anos de prisão”.
A Polícia Civil segue investigando a autoria do disparo que vitimou o agente Lourenço, enquanto a população é incentivada a colaborar por meio do Disque Denúncia para fornecer informações que possam esclarecer o caso e levar os responsáveis à Justiça.





