A Polícia Civil ampliou a investigação sobre a morte de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, após espancamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Um homem e uma mulher ouvidos pela 12ª DP (Copacabana) podem responder por omissão de socorro e lesão corporal, segundo o delegado Ângelo Lages.
O homem é filho de um comerciante que teria contratado o serviço clandestino de segurança envolvido no episódio. Conforme o delegado, ele presenciou as agressões, mas não tentou impedir o ataque nem chamou a polícia para socorrer a vítima.
A mulher investigada é uma funcionária de um bar que entregou o porrete utilizado pelo segurança Davi Santos Machado. De acordo com a polícia, o objeto foi repassado quando Rafael já havia sido agredido na Rua Barata Ribeiro.
Polícia procura homem que chutou vítima
Além dos dois novos investigados, os policiais tentam identificar um homem que aparece nas imagens dando um chute na cabeça de Cláudio Rafael enquanto ele estava caído. O suspeito teria chegado de carro, cometido a agressão e retornado ao veículo.
A polícia busca novas imagens de câmeras de segurança para identificar o homem e reunir elementos que possam fundamentar um pedido de prisão. Segundo o delegado, ele poderá responder por homicídio triplamente qualificado, caso sua participação seja confirmada.
Ao todo, as investigações apontam que oito pessoas tiveram participação direta ou indireta no linchamento. Quatro homens já foram presos: dois entregadores e dois seguranças. Um dos seguranças detidos, porém, não teria agredido Rafael.
Segurança mudou versão durante depoimentos
Davi Santos Machado prestou dois depoimentos à Polícia Civil. Na primeira versão, afirmou que havia dado apenas um soco em Rafael e atribuiu as principais agressões aos entregadores de aplicativo.
Posteriormente, o segurança confessou ter participado do espancamento e classificou as pauladas como um “ato insano”. Ele relatou que entrou em contato com o chefe da segurança, identificado como Aluísio, e recebeu orientação para fotografar a bicicleta que estava com a vítima.
Davi também declarou que não havia confirmação de que a bicicleta tivesse sido furtada. Segundo o depoimento, Rafael não reagiu às ordens dadas pelos envolvidos e, conforme o segurança, ele não teria ouvido a vítima pedir socorro.
Bicicleta foi levada após o episódio
A investigação também identificou que a bicicleta usada por Rafael foi retirada do local por outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias. Dias depois, Davi chegou à 12ª DP levando o veículo para prestar depoimento.
Os envolvidos afirmaram que acreditavam estar recuperando uma bicicleta roubada, mas a suspeita se mostrou equivocada. A polícia investiga agora as circunstâncias que levaram à abordagem e à sequência de agressões.
Segundo familiares, Rafael tinha problemas cognitivos que afetavam sua comunicação. Ele havia chegado a uma loja em Copacabana na noite de 11 de agosto para pedir um cigarro. Pouco depois, foi abordado por Davi, que questionou a propriedade da bicicleta.
Polícia busca testemunhas das agressões
A 12ª DP continua ouvindo comerciantes, responsáveis pela contratação dos seguranças e outras pessoas que estavam no local. O objetivo é esclarecer a participação de cada envolvido e identificar possíveis testemunhas que não prestaram auxílio à vítima.
O delegado Ângelo Lages afirmou que todas as pessoas que presenciaram as agressões devem ser identificadas e ouvidas. A polícia também avalia se testemunhas que permaneceram no local sem buscar ajuda poderão ser responsabilizadas por omissão de socorro.
Cláudio Rafael morreu no dia seguinte ao espancamento em decorrência de hemorragia e traumatismo. As imagens de câmeras de segurança são consideradas peças importantes para reconstruir a sequência das agressões e apontar a participação de cada suspeito.







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