Polícia investiga se advogado do mensalão encontrado morto em São Paulo foi vítima de latrocínio

Câmeras de segurança mostram abordagem de dupla que anunciou assalto; grupo Prerrogativas e OAB-SP organizam velório nesta sexta-feira

A morte do advogado criminalista Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco, ocorrida na quarta-feira (1º), está sendo investigada pela Polícia Civil de São Paulo como possível latrocínio — roubo seguido de morte –, informa o portal g1. Câmeras de segurança da rua Itambé, em Higienópolis, registraram o momento em que Pacheco foi abordado por um homem e uma mulher que anunciaram um assalto.

Segundo o advogado Ivan Filler Calmanovici, integrante do Grupo Prerrogativas, a polícia relatou que a dupla tentou levar o relógio e o celular de Pacheco, que teria reagido ou feito um movimento brusco, sendo agredido pelos criminosos. “Os investigadores falaram em tentativa de roubo, seguida de agressão. Ele caiu no chão, recebeu golpes, inclusive uma cotovelada e um golpe de judô”, afirmou.

Os assaltantes fugiram levando o celular, a carteira e o relógio da vítima.

Socorro e morte na Santa Casa

Após a agressão, Pacheco ficou caído na sarjeta até ser socorrido por uma pessoa que passava pelo local. A testemunha disse à Polícia Militar que o advogado apresentava dificuldade para respirar e convulsionava. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) o levou ainda com vida à Santa Casa de São Paulo, mas ele morreu pouco depois de dar entrada no hospital, sem portar documentos de identificação.

A identidade só foi confirmada 36 horas mais tarde, por meio de exames digitais feitos pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt.

Hipóteses descartadas

Inicialmente, houve especulações sobre possível intoxicação por metanol, já que, antes de desaparecer, Pacheco havia comentado em um grupo de amigos que “teria tomado metanol”. No entanto, os investigadores afirmam que a linha principal agora é a de latrocínio, com a possibilidade de que a queda durante a agressão tenha provocado lesões graves nas costas e na cabeça.

Segundo a polícia, na noite do crime Pacheco havia saído de um bar, onde consumiu algumas doses de whisky. Outras testemunhas ainda serão ouvidas para esclarecer o percurso do advogado até o momento da abordagem criminosa.

Preocupação entre amigos e familiares

Quando Pacheco deixou de responder mensagens, os amigos estranharam. Durante a madrugada, tentaram contato pelo celular, pela portaria de seu prédio e na residência, sem sucesso. Sem notícias, registraram boletim de ocorrência de desaparecimento.

O coordenador-geral do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho, lamentou a perda e exaltou o legado do advogado: “O Grupo Prerrogativas está de luto. E a advocacia também. Perdemos um de nossos sócio-fundadores. Um dos mais brilhantes, mais generosos, mais solidários e mais combativos advogados do país. Seguirá nos inspirando e vivendo no melhor de cada um de nós. Mais um latrocínio ao que parece. As circunstâncias desta morte violenta e inaceitável devem ser rigorosamente apuradas. Não aceitaremos que este episódio lamentável seja convertido em mais um dado estatístico”.

Despedida na OAB-SP

O corpo de Luiz Fernando Pacheco será velado nesta sexta-feira (3) na sede da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, no Centro. O ato está sendo organizado pelo Grupo Prerrogativas, do qual era um dos fundadores.

Autoridades, colegas e familiares devem comparecer à cerimônia, entre eles o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em carta aberta, o grupo descreveu o advogado como alguém que “amava intransitivamente. E amava absolutamente sua família, sempre crescendo pelos seus gestos de acolhimento e cuidado e carinho e amor e amor e amor”.

A morte do advogado gerou forte comoção na classe jurídica e intensificou a cobrança por uma apuração rigorosa do caso.

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