Polícia investiga desvio de recursos na Unimed Leste Fluminense

Ex-diretor é investigado por pagamentos irregulares que podem superar R$ 100 mil; caso envolve suspeita de fraude e favorecimento

A Polícia Civil investiga um suposto desvio de recursos na Unimed Leste Fluminense (São Gonçalo–Niterói) envolvendo um médico que ocupava o cargo de diretor de Mercado da cooperativa. O inquérito foi instaurado a pedido da promotora Patrícia Vianna Vieira, da 2ª Promotoria de Investigação Penal Especializada dos Núcleos de Niterói e São Gonçalo, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) após denúncia feita por uma médica que integrou a antiga diretoria do plano de saúde.

O investigado teria autorizado pagamentos irregulares durante um período de transição administrativa. Segundo a apuração, os valores desviados ultrapassam R$ 100 mil.

Pagamentos fora do sistema e sem justificativa

De acordo com a notícia-crime encaminhada ao MPRJ, o médico teria usado suas credenciais para inserir pagamentos manuais diretamente no sistema bancário, sem passar pelo software interno de gestão da Unimed. Esse procedimento teria permitido ignorar os controles internos da cooperativa.

As transferências foram feitas sem notas fiscais, sem contratos e sem autorização administrativa, o que levantou suspeitas no setor financeiro.

Empresas sem contrato e possível ligação familiar

A investigação aponta que os valores foram destinados a duas empresas: una casa de idodos (R$ 48,3 mil) e para uma empresa (R$ 85 mil) que seria de um parente do médico. Segundo a apuração, nenhuma delas possuía contrato de prestação de serviços com a Unimed.

Um detalhe chamou a atenção dos investigadores: uma das sócias da empresa beneficiada com a maior quantia tem o mesmo sobrenome do investigado, o que levanta a suspeita de favorecimento pessoal ou uso de intermediários para desviar recursos.

Devolução do dinheiro não encerra apuração

Após ser questionado pela equipe financeira, o médico alegou que os pagamentos teriam sido feitos por “engano” e realizou a devolução dos valores à cooperativa. Para o Ministério Público, no entanto, o estorno não impede a investigação criminal.

No entendimento jurídico, a devolução do dinheiro não elimina a possível prática de crime, podendo apenas ser considerada futuramente para atenuar eventual pena.

Crimes investigados

O médico é investigado, em tese, pelos crimes de:

  • Apropriação indébita, pelo desvio de valores sob sua responsabilidade;
  • Estelionato, pelo uso de artifícios para obter vantagem ilícita;
  • Falsidade ideológica, pela inserção ou omissão de informações nos registros financeiros.

Versões em conflito

O Inquérito está sendo conduzido pela 76ª Delegacia de Polícia, localizada no Centro de Niterói, e está na fase de tomada de depoimentos das testemunhas. Enquanto a acusação sustenta que houve desvio intencional de recursos, a defesa do investigado afirma que a denúncia tem motivação política interna. O médico alega que faz parte de uma gestão anterior afastada e que estaria sendo alvo de perseguição. Ele também afirma que não houve prejuízo financeiro, já que os valores foram devolvidos.

Próximos passos

O MPRJ solicitou diligências como a oitiva do investigado e de outras sete testemunhas, além da análise detalhada das movimentações financeiras e da identificação dos sócios das empresas envolvidas.

Nota da Unimed

Em nota, a Unimed Leste Fluminense informou que o caso está sendo apurado de forma criteriosa. Segundo a cooperativa, a denúncia chegou ao Conselho de Administração em 17 de dezembro de 2025, quando foi decidido o afastamento do profissional e a criação de uma comissão especial de apuração. A Unimed afirma ainda que o sistema interno detectou a irregularidade e que os valores foram devolvidos, sem prejuízo à instituição.

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