Agentes da Polícia Federal realizaram novas diligências para apurar como partes das questões, incluindo a redação, passaram a circular nas redes sociais antes mesmo do término da aplicação da prova sobre o suposto vazamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja primeira fase foi realizada no último domingo.
A PF foi acionada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ainda no domingo. À tarde, a assessoria do Ministério da Educação havia confirmado a reprodução da imagem do exame e a medida adotada. “Supostas imagens da prova do Enem passaram a circular nas redes sociais, depois do início da aplicação do exame. Acionamos a Polícia Federal que está investigando para tomar as providências cabíveis”, informou, em nota.
A foto reproduzida na internet mostra a página 19 do caderno de provas do tipo 3, branco. Na fotografia, há o tema da redação: “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”, bem como instruções aos candidatos para redigirem a dissertação, como o número de linhas da folha, uso de caneta preta e penalidade com nota zero quando houver fuga do tema proposto.
A imagem, compartilhada pelo aplicativo WhatsApp, mostra ainda quatro textos de apoio relacionados ao tema. Nesta segunda-feira, o ministro da Educação, Camilo Santana, descartou o cancelamento da primeira fase do Enem por esse motivo e afirmou terem ocorrido “ocorrências pontuais” na ocasião.
— Foram ocorrências pontuais. Todas as ocorrências estão sendo investigadas pela PF para dar uma resposta — afirmou, completando: — Balanço geral foi positivo, e todas as questões estão sendo investigadas pela PF, que apresentará para o MEC. Ontem tivemos duas diligências em relação às imagens circuladas. A PF continua apurando e fazendo as investigações necessárias para identificar qualquer tipo de ilícito. Ontem mais de 4 mil pessoas foram desclassificadas, 15 adultos foram presos. Portanto, consideramos que foi um dia positivo na realização da primeira etapa do Enem.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), informou que a operação montada para acompanhar a realização do Enem mobilizou 31.463 profissionais de segurança pública de todo o Brasil. A ação de monitoramento em tempo real de informações sobre a prova começou no dia 1º e irá até 17 de novembro.
Entre os profissionais mobilizados, estão servidores de órgãos federais, estaduais e municipais que atuam nas gráficas que emitem a prova, na escolta de malotes, na distribuição, nos locais de armazenamento e na realização do certame.
A atuação integrada, de responsabilidade do Ministério da Justiça, envolve a participação do Inep, PF, Polícia Rodoviária Federal, Ministério da Defesa, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Secretarias de Segurança Pública – Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Guardas Municipais, além de concessionárias de energia, água e telefonia e Consórcio Aplicador.
De acordo com os dados reunidos pelo Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, em Brasília, não houve intercorrências significativas ou que tenham impactado a realização do exame. A pasta informou que foram acompanhadas “ocorrências em momentos e pontos estratégicos da cadeia logística, contemplando a saída de provas da gráfica, a escolta de malotes, as rotas de distribuição, os locais de armazenamento e a realização do Enem”.
Com informações de O Globo.





