Uma grande operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (GAECO) foi deflagrada na manhã desta segunda-feira, 24, para desarticular uma organização criminosa especializada no roubo de cargas e caminhões, além de desmanche, receptação e lavagem de dinheiro.
A operação, batizada de “Hammare”, ocorre simultaneamente em vários estados, incluindo São Paulo, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul, com o cumprimento de 17 mandados de prisão temporária e 24 de busca e apreensão.
A investigação, iniciada em 2023, foi impulsionada por um roubo de carga ocorrido em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo, em 17 de julho daquele ano. Durante o curso das diligências, foi identificado que os líderes da quadrilha mantinham um estilo de vida luxuoso, adquirindo veículos de alto padrão, como Ferrari e Lamborghini, lanchas e imóveis de luxo. Além disso, a organização operava de forma estruturada, dividida em três núcleos especializados: roubo de caminhões, desmanche de veículos e receptação de peças roubadas.
Segundo a PF, a quadrilha é responsável por mais de 50 roubos de caminhões entre 2021 e 2024. O grupo tinha como estratégia o roubo de caminhões de marcas suecas, como Volvo e Scania, e utilizava um martelo — o que inspirou o nome da operação, “Hammare”, que significa “martelo” em sueco — para quebrar os vidros das cabines enquanto os motoristas descansavam. A partir disso, os criminosos subtraíam as mercadorias e os veículos.
Na operação de hoje, 110 policiais federais e 100 agentes da Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo, que também auxiliam a ação, realizaram apreensões em várias cidades. Em Jandira, na Grande São Paulo, por exemplo, foi encontrado um carro de luxo, uma Ferrari, no imóvel de um dos líderes da organização, identificado como Fabrício Pimentel Azevedo Silva, que foi preso durante a operação. No local, também foram apreendidos mais de R$ 530 mil em dinheiro vivo.
Além disso, as investigações apontaram que a quadrilha operava por meio de empresas de peças e manutenção de veículos, nas quais a receptação e comercialização de caminhões, peças e motores roubados eram realizadas. Durante a operação, foram encontrados diversos veículos e equipamentos ligados ao crime, incluindo um “cemitério” de carcaças de caminhões roubados em Rondônia.
A Justiça decretou o bloqueio de bens e valores da organização criminosa, que somam cerca de R$ 70 milhões. Mandados de busca e apreensão também estão sendo cumpridos em empresas localizadas em várias cidades dos estados de São Paulo, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul.
As ações de combate à quadrilha são um reflexo do trabalho contínuo da Polícia Federal e do GAECO no enfrentamento das organizações criminosas que atuam no roubo de cargas e caminhões nas rodovias brasileiras. A operação de hoje se soma a um conjunto de ações já realizadas, incluindo as Operações Rapina, Insídia, Malta, Caterva, entre outras, que resultaram na prisão de mais de 200 criminosos e na desarticulação de diversas quadrilhas especializadas nesse tipo de crime.
O cumprimento dos mandados, que envolve prisões e apreensões, está em andamento, e a expectativa é que mais envolvidos na organização sejam capturados ao longo da operação. A PF segue com investigações para identificar outros membros e desarticular completamente a quadrilha.
Com informações da Globonews e do site Pop Mundi





