Polícia faz operação em postos de SP ligados a empresário suspeito de lavar dinheiro do PCC

Ação da Polícia Civil mira seis estabelecimentos associados a Mohamad Hussein Mourad, apontado como operador financeiro da facção

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Octanagem, que tem como alvo seis postos de combustíveis suspeitos de ligação com o empresário Mohamad Hussein Mourad, apontado como o principal operador do esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação cumpre mandados de busca e apreensão na Baixada Santista e no interior paulista.

Segundo as investigações, os estabelecimentos são parte do braço “varejista” da rede criminosa identificada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto e considerada a maior ofensiva da história contra o crime organizado no setor de combustíveis.

Alvos em Santos, Praia Grande e Araraquara

Ao todo, os agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão: três em postos de combustíveis de Praia Grande, dois em Santos e um em Araraquara, no interior do estado.

A operação é acompanhada por fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e da Secretaria da Fazenda de São Paulo. O objetivo é investigar possíveis irregularidades fiscais e contábeis e identificar eventuais conexões financeiras com a facção criminosa.

De acordo com a polícia, os postos pertencem aos empresários Pedro Furtado Gouveia e Luiz Ernesto Franco Monegatto, que já haviam sido alvos da Operação Carbono Oculto por suposta associação com Mohamad Mourad, atualmente foragido.

Fonte: portal g1

Indícios de ligação entre os empresários

As investigações apontam que os seis postos têm relação direta com Himad, primo de Mohamad e apontado como um dos principais articuladores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Em junho deste ano, investigadores detectaram uma operação suspeita: ao realizar uma compra no Auto Posto Panamera, em Praia Grande — de propriedade de Pedro Gouveia — o comprovante de pagamento saiu em nome do Auto Posto Ímola, em Araraquara, que pertence a Luiz Ernesto Monegatto. Segundo o antigo dono, o estabelecimento foi vendido a Monegatto e a Himad, embora o nome deste último não conste no quadro societário.

Até março de 2025, Himad figurava como sócio do Auto Posto Platinum, também em Praia Grande, e dos postos Super Senna e Novo Milênio, em Santos, todos atualmente controlados por Pedro Gouveia. Outro estabelecimento sob investigação é o Posto Quasar, também em Praia Grande.

A Polícia Civil suspeita que Himad mantenha participação oculta em mais de 100 postos em diferentes estados. De acordo com levantamento do g1, ele é sócio direto de ao menos dez estabelecimentos, embora as autoridades acreditem que o número real seja muito maior.

Esquema bilionário de lavagem e sonegação

A Operação Carbono Oculto revelou uma complexa estrutura montada pelo PCC para infiltrar-se na cadeia de produção e distribuição de combustíveis no Brasil. O grupo utilizava empresas de fachada e transações fictícias para lavar dinheiro oriundo do tráfico e de outros crimes, movimentando bilhões de reais.

Deflagrada em agosto, a operação mobilizou cerca de 1,4 mil agentes para cumprir mandados de busca, apreensão e prisão contra mais de 350 pessoas e empresas. Segundo a Secretaria da Fazenda paulista, o grupo teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.

Entre os 15 principais alvos, estão empresários ligados à gestão de ao menos 251 postos de combustíveis em quatro estados. Na Baixada Santista, foram identificados 33 postos em seis cidades — 12 em Santos, 9 em Praia Grande, 6 em Guarujá, 3 em São Vicente, 2 em Cubatão e 1 em Mongaguá.

Foragido e ramificações nacionais

Apontado como o líder do esquema, Mohamad Hussein Mourad continua foragido. Ele é suspeito de utilizar familiares e sócios de confiança para manter a estrutura financeira ativa, mesmo após a deflagração da Carbono Oculto.

A Operação Octanagem representa a continuidade dessa investigação, agora voltada ao controle de postos que funcionariam como fachada para a movimentação e lavagem de recursos ilícitos da facção.

As autoridades esperam que as novas apreensões ajudem a mapear a extensão da rede e a identificar os fluxos de dinheiro que sustentam o PCC fora do sistema bancário formal.

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