Polícia do Rio faz buscas em empresa de aliado dos Bolsonaro com contratos de R$ 16,2 milhões

Renato Araújo, que concorre à Câmara pelo PL com base eleitoral em Angra, supervisionou reforma da casa de Jair Bolsonaro na cidade e recebeu apoio da família em sua trajetória política

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu 20 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (13) em uma investigação sobre suspeitas de irregularidades em reformas de escolas estaduais. Entre os endereços alvos da operação está a sede da Bravo Construções, empresa ligada ao empresário Renato Araújo, candidato a deputado federal pelo PL e aliado da família Bolsonaro.

A construtora foi escolhida em 2025 para executar reformas em 15 escolas estaduais, em contratos que somavam R$ 16,2 milhões. A empresa está formalmente registrada em nome de Tainá Nóbrega de Souza, mulher de Araújo, mas o empresário já integrou seu quadro societário e aparece como diretor-geral em documentos apresentados à Secretaria estadual de Educação.

Conhecido politicamente como “Renato Araújo do Bolsonaro”, o candidato mantém relações públicas com Jair e Flávio Bolsonaro. Ambos apoiaram Araújo quando ele disputou a Prefeitura de Angra dos Reis, em 2024.

A realização das buscas, por si só, não significa que Araújo ou a construtora tenham cometido crimes. A investigação busca reunir elementos para esclarecer as suspeitas envolvendo as contratações.

Empresa assumiu reformas em 15 escolas

A Bravo não possuía contratos com o governo fluminense até 2023. Naquele ano, assumiu duas obras, que acabaram rescindidas antes da conclusão. Em 2025, a empresa passou a executar as reformas das 15 unidades escolares.

O caso envolve também questionamentos sobre a forma utilizada para a contratação dos serviços.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) identificou o uso das Associações de Apoio à Escola (AAEs) para intervenções de maior porte. O mecanismo havia sido criado para dar mais agilidade a pequenos reparos emergenciais.

Por meio das associações, recursos públicos são repassados para que serviços sejam contratados mediante cotações de preços, sem o procedimento licitatório convencional.

Em uma representação apresentada ao TCE-RJ, o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) citou, entre outros casos, uma reforma no Colégio Estadual Antônio da Silva no valor de R$ 2,22 milhões. O documento atribuiu a execução à Bravo Construções e Serviços Ltda.

O tribunal apontou indícios de utilização do mecanismo destinado a pequenos reparos para obras de maior valor e, em abril, determinou a suspensão de pagamentos às empresas envolvidas.

Relação com a família Bolsonaro

Renato Araújo tem uma relação política conhecida com os Bolsonaro. Além do apoio recebido na eleição municipal de 2024, o empresário supervisionou, em 2023, a reforma da casa de Jair Bolsonaro na Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis.

Araújo também esteve entre as pessoas que solicitaram autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para visitar o ex-presidente na Papudinha.

Em outro momento, Jair Bolsonaro chegou a apontá-lo como possível candidato a vice em uma chapa encabeçada por Rodrigo Bacellar ao governo do Rio. A composição não avançou após a prisão de Bacellar pela Polícia Federal no fim de 2025.

A Bravo Construções, porém, já negou possuir relação empresarial com a família Bolsonaro. Em manifestação divulgada anteriormente, sustentou que os contratos das AAEs decorreram de procedimentos regulares e afirmou que os Bolsonaro “jamais” tiveram relação com a companhia.

A empresa também declarou atuar no setor há mais de 15 anos e afirmou que já possuía experiência em obras públicas antes da aproximação política de Araújo com a família Bolsonaro.

Polícia Civil e PF têm investigações distintas

As buscas desta quinta-feira foram realizadas pela Polícia Civil. Paralelamente, a Polícia Federal conduz outra investigação relacionada ao contexto das contratações feitas pelas Associações de Apoio à Escola.

Essa frente investiga o ex-deputado Rodrigo Bacellar e a possibilidade de que o modelo das AAEs tenha permitido influência política na escolha das empresas responsáveis pelas obras. A apuração também analisa eventual repasse de recursos de empresas para Bacellar.

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