A polícia do Paraguai informou que a tornozeleira eletrônica utilizada pelo ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques foi localizada na madrugada desta segunda-feira (29) na rodoviária de Cidade do Leste, na fronteira com o Brasil. O dispositivo foi identificado após cooperação com autoridades brasileiras e encaminhado para os procedimentos legais.
A localização ocorreu durante uma ação de policiais da 3ª Delegacia do bairro Obrero, que acionaram o Comando Tripartite para aprofundar a apuração do caso. A tornozeleira é homologada pela Anatel e está registrada em nome de uma empresa brasileira de tecnologia.
Prisão no Paraguai e expulsão do país
Silvinei Vasques foi preso no dia 26 de dezembro no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, capital paraguaia. Ele acabou expulso do país por não declarar sua entrada e por possuir mandado de prisão em aberto no Brasil.
De acordo com as autoridades paraguaias, o ex-diretor da PRF tentou embarcar para El Salvador utilizando documentos falsos. Ele se apresentou como Julio Eduardo e chegou a declarar à polícia local que teria câncer na cabeça e não poderia falar. Durante o procedimento de verificação, no entanto, houve divergência entre fotos, numeração e impressões digitais.
O diretor de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, afirmou que, após a comparação dos dados biométricos, ficou comprovado que Silvinei não era a pessoa descrita no documento apresentado. Confrontado, ele acabou confessando que os documentos não lhe pertenciam.
Diante dos fatos, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do ex-diretor da PRF.
Cronologia da fuga
Em informações enviadas ao STF, a Polícia Federal relatou que a fuga de Silvinei Vasques teve início ainda na noite de quarta-feira (24), véspera de Natal, antes de a tornozeleira eletrônica deixar de funcionar.
Imagens obtidas pela PF indicam que ele deixou o condomínio onde mora, em São José (SC), por volta das 19h22. Pouco antes, carregou um veículo alugado com sacolas, rações e tapetes higiênicos para animais domésticos. Ele também embarcou com um cachorro da raça pitbull. Depois disso, segundo os investigadores, não foi mais visto no local.
Uma equipe da Polícia Penal de Santa Catarina tentou localizá-lo por volta das 20h10, indo até o apartamento e a vaga de garagem, mas não obteve sucesso.
“Foram até o apartamento do réu, nº 706- Bloco A, mas ninguém atendeu. Também foram até a vaga de garagem, nº 333, e a encontraram vazia.”
Os policiais federais só foram acionados às 23h do dia de Natal. Eles repetiram as diligências no endereço, sem localizar Silvinei. Ao Supremo, a PF informou que ainda não é possível precisar os motivos da violação da tornozeleira nem afirmar se o equipamento chegou a permanecer no apartamento.
Na decisão que determinou a prisão preventiva, Alexandre de Moraes avaliou que os elementos reunidos demonstram a tentativa clara de fuga para driblar ordens judiciais.
“As diligências in loco realizadas pela Polícia Federal no endereço residencial do réu Silvinei Vasques indicam a efetivação de sua fuga”, escreveu.
“O réu não se encontrava em seu apartamento no momento da diligência, em violação à medida cautelar de recolhimento domiciliar noturno; estava utilizando veículo automotor alugado; esteve em seu endereço residencial até as 19h22min do dia 24/12/2025, quando não foi mais visto entrando ou saindo de carro; e carregou o veículo alugado com o seu animal de estimação e materiais para transporte de cachorro”, acrescentou o ministro.
Condenações e atuação na PRF
Silvinei Vasques foi condenado neste mês pelo STF a 24 anos e 6 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo a decisão, ele integrou o chamado núcleo 2 da organização criminosa e atuou para monitorar autoridades e dificultar a votação de eleitores, especialmente no Nordeste, por meio de operações da PRF no segundo turno.
Antes disso, ele já havia sido condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por uso político da estrutura da Polícia Rodoviária Federal durante a campanha eleitoral de 2022. A decisão reconheceu que Vasques utilizou símbolos, recursos e a visibilidade institucional da corporação para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição, resultando em multa superior a R$ 500 mil e outras sanções cíveis.
Após ter sido preso em 2023, Silvinei obteve liberdade provisória mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, rompida durante a tentativa de fuga.






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