Polarização nacional se reflete em Niterói com Rodrigo Neves apoiado por Lula e Jordy ungido por Bolsonaro e família

Com dois mandatos à frente do Executivo municipal, Rodrigo Neves é o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual prefeito Axel Grael (PDT) nas urnas

Com 410.038 eleitores, Niterói, na Região Metropolitana, é quinto maior colégio eleitoral do Estado do Rio, e volta às urnas neste domingo (27) para definir quem governará o município a partir do primeiro dia de janeiro de 2025. A disputa na cidade será entre o ex-prefeito Rodrigo Neves (PDT) e o deputado federal Carlos Jordy (PL), que protagonizam uma eleição polarizada. Apenas Niterói e Petrópolis, na Região Serrana, terão segundo turno entre os 92 municípios fluminenses.

Com dois mandatos à frente do Executivo municipal, Rodrigo Neves é o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual prefeito Axel Grael (PDT) nas urnas, enquanto o adversário Carlos Jordy conta com a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seu filho senador, Flávio (PL-RJ), na tentativa de virar a disputa em um reduto tradicionalmente de esquerda.

Com 136.064 votos, o correspondente a 48,47% dos votos válidos, o pedetista emplacou uma vantagem expressiva no primeiro turno em relação ao candidato do PL, que obteve 99.920 votos, ou 35,59%.

Em meio à polarização da eleição no município, Jordy, conhecido pela proximidade com Bolsonaro e um histórico de ataques a adversários, procurou moderar o tom ao longo do segundo turno. Por outro lado, Rodrigo dobrou a aposta na polarização entre direita e esquerda e buscou o apoio de Lula em Brasília, que sinalizou para investimentos federais na cidade.

Além disso, Rodrigo caminhou ao lado de lideranças da esquerda no estado, como o ex-deputado Alessandro Molon (PSB) e o deputado federal e prefeito eleito de Maricá, Washington Quaquá (PT). O pedetista também ganhou o apoio da candidata derrotada e deputada federal Talíria Petrone (PSOL), que ficou em terceiro lugar. A parlamentar obteve 35.498 votos — 12,65% dos votos válidos.

— Niterói é uma cidade esclarecida, e do outro lado temos o despreparo, o extremismo, que não podem chegar perto da prefeitura e colocar nossa cidade em risco de retrocesso. Tenho a convicção de que vai dar 12, e a partir de janeiro vamos transformar Niterói na melhor cidade em qualidade de vida no Brasil — afirma Rodrigo Neves.

Já Carlos Jordy, que concorre pela primeira vez ao Executivo municipal, avalia que a vitória de candidatos do PL nas cidades vizinhas de São Gonçalo e Itaboraí, também na Região Metropolitana, apontam para uma consolidação da direita no Estado do Rio e que isso pode impactar o resultado do segundo turno em Niterói. O deputado do PL ainda buscou durante a campanha o apoio de nomes nacionais da direita e posou para fotos ao lado de caciques como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), material explorado nas redes sociais.

O candidato tem destacado como elemento fundamental nesta reta final da campanha o crescimento da bancada do PL na Câmara Municipal, que passou de um para quatro vereadores. Os eleitos entraram na tropa de choque da campanha do bolsonarista.

— Há uma grande onda de esperança no nosso projeto para a cidade. Estamos mudando votos diariamente e vamos crescer o suficiente para ganhar a eleição. A cada dia que passa, mais pessoas estão nos conhecendo e aderindo à nossa campanha, livre da corrupção, dos esquemas, que respeita o cidadão — aposta Jordy.

Ex-vereador e candidato derrotado a prefeito pelo Podemos, Bruno Lessa, que ficou na quarta colocação, com 8.805 votos — 3,14% dos votos válidos —, optou por aderir à campanha de Jordy.

Além da polarização, as eleições em Niterói ainda foram marcadas por troca de acusações entre as campanhas de PDT e PL por conta de perfis falsos criados nas redes sociais para divulgação de fake news.

Com investimento público em patamares elevados, de acordo com o Índice Firjan de Gestão Financeira (IFGF), Niterói tem entre os desafios a serem herdados pelo novo prefeito o aumento da população em situação de rua e a necessidade de ampliação de programas sociais que atendam a dependentes químicos — parte é moradora de rua.

Ainda segundo o índice da Firjan, Niterói tem situação financeira confortável em relação às demais cidades fluminenses, com capacidade de investimento, boa autonomia para cobrir os custos da prefeitura sem depender de transferências dos governos federal e estadual, menor comprometimento do orçamento com despesas de funcionários públicos, planejamento financeiro eficiente e investimento público elevado.

Embora os índices sejam favoráveis, a cidade ainda enfrenta problemas nas áreas de infraestrutura, transporte e habitacional.

Com informações de O Globo.

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