O 2º sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adelmo da Silva Guerini Fernandes, de 51 anos — conhecido como Russo ou Magrelo — foi morto a tiros na tarde/noite desta quinta-feira (16) na Comunidade Asa Branca, em Curicica, Zona Sudoeste do Rio. O policial, que estava de folga no momento do crime, era investigado por envolvimento com uma milícia que atuava na região e que se autodenominava Os Mercenários.
Policial já respondia por homicídio e fraude processual
Adelmo havia se tornado réu há um mês por homicídio e fraude processual relacionados a uma operação policial em Itaguaí, em 2019. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ele e outros sete PMs do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 24º BPM (Queimados) executaram dois suspeitos em uma motocicleta, sem confronto, para pressionar traficantes locais a pagar propina. Um dos homens foi morto, e o outro conseguiu escapar.
Investigação apontou histórico de crimes graves
De acordo com o MPRJ, Adelmo e os demais acusados já tinham antecedentes por crimes como organização criminosa, extorsão mediante sequestro e homicídio. Todos também figuram como réus na operação “Os Mercenários”, que investiga policiais suspeitos de matar criminosos que se recusavam a pagar propina. A Justiça havia imposto medidas cautelares, como suspensão do porte de arma e afastamento das ruas, restringindo o grupo a funções administrativas.
PM era alvo de dois processos disciplinares internos
Em nota, a Polícia Militar informou que Adelmo Guerini respondia a dois processos administrativos, que avaliavam sua permanência na corporação. O sargento estava lotado no 21º BPM (São João de Meriti) e, por ordem judicial, afastado de atividades operacionais.
Execução é principal linha de investigação
O homicídio é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A principal hipótese é de execução premeditada, indicando que os criminosos foram até o local especificamente para matar o militar.
Celular apreendido revelou esquema de milícia
As investigações sobre Os Mercenários começaram após a Operação Gogue Magogue, em 2020, quando o MPRJ apreendeu o celular de Guerini. Mensagens e registros no aparelho indicavam que policiais do 24º BPM e da P2 do 21º BPM formavam uma organização criminosa. O grupo era acusado de sequestrar criminosos para extorquir dinheiro, vender armas, vazar operações e realizar emboscadas contra traficantes.
Propina de R$ 1 milhão por liberdade de traficante
O Ministério Público revelou ainda que Guerini e outros PMs exigiram R$ 1 milhão para libertar Leonardo Serpa, o “Léo Marrinha”, então chefe do tráfico das comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul. Em troca de mensagens, o sargento comemorou a negociação escrevendo “Deu bom demais” e enviando o número “1” acompanhado do emoji de um milho, em alusão a “um milhão”. Segundo o MPRJ, o valor teria sido dividido entre policiais militares e civis.
Investigação segue em andamento
O caso segue sob investigação da DHC, que apura a autoria e motivação da execução do sargento. A corporação informou que colabora com as investigações e que medidas disciplinares continuarão sendo aplicadas aos envolvidos.






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