O soldado Marcelo Ferreira Chagas da Silva se entregou nesta quarta-feira (2) e se tornou o 10° policial militar preso por suspeita de atuar em um esquema de segurança privada ilegal durante o expediente, na Baixada Fluminense. A prisão ocorreu um dia após a operação do Ministério Público do Rio (MPRJ), que cumpriu mandados contra 11 PMs. Um deles ainda segue foragido.
Segundo a denúncia, o grupo exigia pagamentos mensais de comerciantes de Belford Roxo entre 2021 e 2024. Em troca, oferecia proteção usando viaturas, armas e fardas da própria corporação. Os donos de estabelecimentos, como restaurantes, mercados, farmácias, postos e até um ponto do Detran, eram chamados informalmente de ‘padrinhos’.
O esquema teria funcionado quando os policiais estavam lotados no 39º BPM (Belford Roxo). Alguns ainda estavam na unidade, enquanto outros foram transferidos para os batalhões de Niterói (12º BPM), Duque de Caxias (15º BPM), Mesquita (20º BPM), no BPTur e até na Prefeitura de Belford Roxo.
‘Pior que milícia’
Áudios obtidos pelo Ministério Público revelaram que os policiais militares faziam ameaças às vítimas e se diziam “pior que a milícia”.
“Tranquilo, padrinho. Cenzinho por semana, só pra tomar uma água cara. É sem opressão. Isso aqui não é milícia não, cara. Pior que milícia. Se não quiser dar os 100 vai dar m*rda”, disse um dos PMs.
A corporação informou que equipes da Corregedoria-Geral da corporação acompanham a operação e que os policiais militares são alvos de investigação por envolvimento em atos de corrupção. Os presos estão sendo encaminhados para a sede da Corregedoria, onde farão trâmites administrativos, exame de corpo de delito e seguirão para Unidade Prisional.





