Plataformas derrubam contas do tráfico e reforçam proteção a jovens nas redes

Estratégia de cooptar adolescentes acelera reação de Meta e TikTok, que ampliam filtros, moderadores e sistemas de detecção de conteúdo criminoso

Imagens de jovens empunhando fuzis, pilotando motos sem placas — muitas delas roubadas — e ostentando símbolos de facções criminosas tornaram-se presença constante em perfis ligados ao crime organizado no ambiente digital. Segundo reportagem do jornal O Globo, o fenômeno faz parte de uma estratégia de marketing usada pelo tráfico para atrair seguidores e cooptar adolescentes, explorando a lógica de engajamento das redes sociais e a vulnerabilidade do público mais jovem.

A crescente exposição desses conteúdos levou plataformas digitais a ativarem mecanismos extras de proteção e a reforçar seus sistemas de moderação. A Meta, dona de Instagram e Facebook, e o TikTok confirmaram ao jornal que removeram as contas identificadas pela reportagem e anunciaram ações adicionais para reduzir o alcance de perfis associados ao crime.

Meta implementa camada extra de segurança

A Meta informou que está testando uma nova camada de proteção específica para usuários de até 25 anos, construída a partir de uma campanha educativa com especialistas brasileiros. O objetivo é dificultar o contato entre jovens e organizações criminosas, que têm usado vídeos apelativos como ferramenta de recrutamento.

Em nota, a empresa explicou: “Usuários menores de 18 anos são automaticamente colocados na experiência da Conta de Adolescente, que possui configurações mais rígidas por padrão para limitar quem pode entrar em contato com eles e os conteúdos que visualizam. Trabalhamos com autoridades nos termos da legislação aplicável.”

A companhia reforçou ainda que não permite “a presença de organizações e indivíduos perigosos” em suas plataformas, e que contas do tipo são removidas assim que detectadas, por meio da combinação entre inteligência artificial e equipes especializadas de segurança digital.

Reação política ao avanço do crime digital

O debate sobre o papel das redes sociais no avanço do tráfico ganhou ainda mais força após a megaoperação policial de 28 de outubro. Em declarações recentes, o governador Cláudio Castro afirmou que o estado vive uma “janela de oportunidade” para enfrentar o crime organizado e reconheceu: “Somos o epicentro do problema no Brasil”. As falas refletem o impacto da operação e a percepção de que o domínio digital das facções também precisa ser combatido.

TikTok reforça moderação e divulga índices

O TikTok informou ao Globo que também removeu todos os perfis mencionados e destacou que possui uma equipe dedicada exclusivamente a monitorar publicações relacionadas ao tema. A plataforma afirma contar com cerca de 40 mil profissionais atuando na área de segurança, responsáveis por identificar e derrubar contas que violem as Diretrizes da Comunidade.

Segundo a empresa, 99,1% dos vídeos que infringiram suas regras foram removidos de forma proativa, sem necessidade de denúncia, e 90,5% deles foram retirados antes mesmo de qualquer visualização. Os dados constam em relatórios trimestrais divulgados pela plataforma como parte de seu esforço de transparência.

Disputa entre crime e algoritmos continua

Apesar dos avanços anunciados pelas plataformas, especialistas ouvidos pela reportagem destacam que facções seguem explorando brechas algorítmicas e criando novas contas para difundir conteúdos violentos e atrair jovens.

Para autoridades de segurança pública, o enfrentamento ao crime digital exige ação integrada entre empresas, governos e sociedade civil — sobretudo em estados como o Rio, onde o alcance das facções nas redes é considerado um dos maiores do país.

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