O Pix consolidou sua posição como um dos principais meios de pagamento do país e já movimenta mais dinheiro do que os cartões de crédito no comércio eletrônico brasileiro. É o que mostra o Global Payments Report 2026, estudo anual da empresa global de tecnologia financeira Global Payments, que analisou hábitos de consumo e pagamentos em 42 países.
Segundo o levantamento, o Pix respondeu por 42% do valor transacionado no e-commerce brasileiro em 2025, superando os cartões de crédito, que ficaram com 40% das operações. Nos pontos de venda físicos, o sistema criado pelo Banco Central também avançou de forma acelerada e já representa 34% das transações, contra 31% dos cartões.
A projeção do estudo é de que os pagamentos do tipo A2A, sigla para “account to account” — transferência direta entre contas bancárias, como ocorre com o Pix — continuem crescendo nos próximos anos. Até 2030, esse modelo deverá representar 44% do e-commerce brasileiro e 46% das transações em lojas físicas.
Para o diretor-geral da América Latina da Global Payments, Juan Pablo D’Antiochia, o Brasil se transformou em uma referência internacional em pagamentos instantâneos.
“O mundo está se parcelando”, afirma D’Antiochia ao comentar também o avanço de novas modalidades de crédito digital.
Pix coloca o Brasil no centro da transformação digital
O desempenho do Pix colocou o Brasil como um dos principais exemplos globais de modernização financeira. Desde sua criação pelo Banco Central, o sistema passou a ser usado em larga escala tanto por consumidores quanto por empresas, impulsionado pela rapidez das transferências, ausência de taxas em muitas operações e facilidade de uso.
O estudo aponta que o modelo brasileiro inspirou outros países da América Latina a criarem sistemas semelhantes. Na Argentina, o Transferencias 3.0 já representa 15% do e-commerce e 10% dos pagamentos em pontos de venda.
Na Colômbia, o banco central lançou em 2025 o Bre-B, plataforma de pagamentos instantâneos via QR Code que pode ser usada em compras online e presenciais. A expectativa é que o sistema colombiano alcance 41% do e-commerce até 2030.
Já no Peru, o Banco Central iniciou parceria para desenvolver um modelo semelhante ao UPI da Índia, buscando ampliar a inclusão financeira em um país onde mais de um terço da população adulta ainda não possui conta bancária.
Globalmente, porém, os pagamentos A2A ainda têm participação menor do que no Brasil. Em 2025, responderam por apenas 7% do e-commerce mundial e 4% das transações em pontos de venda físicos.
Cartões seguem fortes por causa do parcelamento
Apesar do avanço acelerado do Pix, os cartões de crédito continuam exercendo papel central no mercado brasileiro, principalmente devido à cultura do parcelamento e aos programas de benefícios oferecidos pelas instituições financeiras.
O relatório destaca que o parcelamento permanece como um diferencial importante para o consumidor brasileiro e ajuda a manter a relevância dos cartões mesmo diante do crescimento dos pagamentos instantâneos.
Essa característica também ajuda a explicar a baixa penetração do modelo BNPL (“buy now, pay later”, ou “compre agora e pague depois”) no Brasil. Enquanto em países europeus plataformas independentes desse tipo ganharam espaço, no mercado brasileiro o parcelamento tradicional já cumpre função semelhante.
Ainda assim, o estudo mostra que o BNPL segue em expansão no cenário internacional. Em 2025, a modalidade respondeu por 4% do e-commerce global, com previsão de atingir 5% até 2030, movimentando cerca de US$ 500 bilhões.
Grandes plataformas digitais como PayPal e Mercado Pago já incorporaram o sistema aos seus ecossistemas financeiros.
Carteiras digitais crescem menos no Brasil
Outro dado que chama atenção no relatório é a diferença entre o comportamento do consumidor brasileiro e a média mundial em relação às carteiras digitais.
No Brasil, essas ferramentas representam apenas 10% do e-commerce e 12% das transações em lojas físicas. No restante do mundo, os percentuais são muito maiores: 56% e 33%, respectivamente.
Segundo o estudo, isso acontece porque o mercado brasileiro ainda é fortemente sustentado pelo uso combinado de cartões e Pix. Muitas carteiras digitais nacionais funcionam justamente integradas a esses meios de pagamento.
Globalmente, porém, as carteiras digitais já são o principal método de pagamento tanto no comércio eletrônico quanto em compras presenciais.
Dinheiro vivo ainda resiste na América Latina
Mesmo com a digitalização acelerada dos meios de pagamento, o dinheiro em espécie ainda mantém forte presença na América Latina.
Enquanto os pagamentos em papel-moeda representam 14% das transações presenciais no mundo, na região o índice chega a 23%.
O Brasil aparece mais próximo da média global, com 12% das operações realizadas em dinheiro. Chile e Argentina também apresentam participação menor do papel-moeda, com 16% e 17%, respectivamente.
Por outro lado, México, Colômbia e Peru continuam liderando o uso de dinheiro físico. No México, por exemplo, o dinheiro representa 40% das transações em lojas físicas e ainda é amplamente usado até mesmo em compras online pagas posteriormente em redes de conveniência.






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