A Procuradoria Geral da República (PGR) foi acionada para investigar a declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre ter “pintado um clima” com meninas venezuelanas, que ele avistou durante um passeio de moto em São Sebastião, no Distrito Federal.
As informações são do Globo online.
O pedido foi feito pelo deputado distrital Leandro Grass (PV), ainda no sábado, para que o órgão investigue o que de fato ocorreu, conforme o relato do presidente, e qual é a situação das adolescentes no país.
“Se havia algum problema por ele verificado, deveria procurar as instâncias de controle, justamente para que providências fossem tomadas. Há, na região, Conselho Tutelar ativo e que exerce seu mister com bastante competência. Há, no Distrito Federal, Ministério Público extremamente capaz e que tem agido de forma impecável nas questões relacionadas a direitos humanos. E há, em seu governo, Ministérios da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, bem como o Ministério da Justiça, que lida com questões relacionadas a nacionais de outros países que, ao que tudo indica, sequer foram acionados pelo Presidente”, diz a representação.
Bolsonaro afirmou em entrevista ao canal do YouTube “Paparazzo Rubro-Negro”, na sexta-feira, que, durante um passeio de moto pela comunidade de São Sebastião, avistou meninas de 14 e 15 anos e que “pintou um clima” antes de pedir para ir à casa delas.
Na avaliação de Grass, que pediu investigação à PGR, o caso é gravíssimo. “As ações do Presidente da República precisam ser investigadas, para que se verifique o que de fato ocorreu após ter ‘pintado um clima’, as condições em que se deram a entrada na residência em que estavam as adolescentes venezuelanas, quem administra o local e para que se apure se a sugestão de atividade ilícita, para ganhar a vida, esteja de fato ocorrendo”, relata na ação.
Ao GLOBO, Grass disse que essa foi a primeira ação a ser tomada, mas ele ainda estuda outras possibilidades no âmbito do legislativo do DF, como acionar a polícia civil e Conselho Tutelar para investigações:
— O que ele relata (na entrevista) e o vídeo que ele publica não parecem ser a mesma situação. Temos de fazer o questionamento na Justiça, acionar o Conselho Tutelar, se posicionar no legislativo e usar todos os instrumentos de controle.
As declarações de Bolsonaro também entraram na mira da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. O colegiado deve se reunir nesta semana para analisar o caso e verificar se há providências que podem ser tomadas.
O presidente da CDH, o senador Humberto Costa (PT-PE), classificou as falas de Bolsonaro como um “verdadeiro escândalo”:
— Um marco do cinismo, da hipocrisia, porque o Bolsonaro e esse grupo bolsonarista permanentemente acusam pessoas de serem pedófilas sem a menor fundamentação. É um ato de profunda hipocrisia. É uma coisa de gigantesca gravidade e precisa ser objeto de apuração. A Comissão de Direitos Humanos deverá se debruçar, não somente sobre essa questão, mas também sobre as falas da ex-ministra e senadora eleita ministra Damares (Alves). Como ela fez acusação e não tomou nenhuma medida quando era ministra, incorre em crime de prevaricação.
— Há uma informação de que, de forma nenhuma,essa casa era um espaço de prostituição. Ele [Bolsonaro] foi duplamente irresponsável. É uma coisa que não pode passar em branco. Nós vamos tomar essas inciativas — disse Costa ao GLOBO.






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