Um helicóptero Robinson R44 negociado por cerca de R$ 1,8 milhão entrou no radar da Polícia Federal na investigação sobre patrimônio e movimentações atribuídas a ex-integrantes do governo Cláudio Castro. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que o então presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere, demonstrou interesse na aquisição da aeronave. O nome do ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi também aparece em controles financeiros relacionados ao helicóptero.
Segundo a investigação, as mensagens indicariam que Bussiere concluiu negociações para a aquisição da aeronave. Outro diálogo chamou a atenção da PF por sugerir que o então presidente do Inea utilizava o helicóptero mesmo sem o bem estar formalmente apenas em seu nome.
Bussiere afirmou ter uma pequena participação na aeronave.
Já no caso de Bernardo Rossi, a Polícia Federal identificou o nome do ex-secretário em controles financeiros relacionados ao helicóptero. Para os investigadores, o registro sugere vínculo com a utilização da aeronave ou com a estrutura econômica responsável por sua manutenção.
Rossi explica uso do helicóptero
A defesa de Bernardo Rossi, que atualmente é candidato a deputado federal, nega que o ex-secretário tenha sido proprietário da aeronave.
Segundo os advogados, tratava-se de um helicóptero compartilhado e disponibilizado para utilização mediante pagamento. A defesa afirma que Rossi fez uso da aeronave poucas vezes.
Ainda de acordo com os advogados, o aparecimento do nome do ex-secretário em uma planilha de despesas está relacionado exclusivamente aos custos desses usos pontuais e não representa participação na compra do helicóptero.
A defesa também repudiou qualquer tentativa de atribuir a Rossi participação em esquema de lavagem de dinheiro.
A análise da aeronave integra uma investigação mais ampla da Polícia Federal sobre bens de alto valor relacionados a pessoas que ocuparam postos estratégicos na administração estadual.
Mansão também entra no radar
Outro patrimônio analisado pelos investigadores é uma mansão localizada em um condomínio de Angra dos Reis, na Costa Verde.
O imóvel tem mais de mil metros quadrados de área construída e é avaliado em aproximadamente R$ 12 milhões. Segundo a investigação, uma empresa ligada a Bussiere adquiriu 50% da propriedade por R$ 6 milhões.
Mensagens obtidas pela PF também são utilizadas para tentar esclarecer a relação do ex-presidente do Inea com a residência.
Bussiere declarou que frequenta o imóvel desde 2022, utilizando a propriedade e pagando despesas relacionadas ao período em que permanece no local.
Uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões também aparece no material investigado. Bussiere afirmou que a embarcação não é e nunca foi dele e disse que apenas dividia despesas quando fazia uso do barco.
Elo com Pipo é investigado
A Polícia Federal identificou ainda uma ligação entre Renato Bussiere e o advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo, suspeito de atuar como laranja do ex-governador Cláudio Castro.
Empresas relacionadas aos dois foram proprietárias de uma sala comercial em um edifício na Barra da Tijuca. Bussiere afirmou que vendeu sua participação no imóvel em 2022.
Os investigadores suspeitam que Pipo tenha desempenhado papel central em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, atuando como laranja na aquisição de bens e no pagamento de despesas de terceiros, inclusive do ex-governador Cláudio Castro.
Entre as movimentações analisadas está o pagamento de uma compra de caviar, de cerca de R$ 10 mil, atribuída pela investigação a uma empresa ligada a Pipo em benefício de Castro.
A investigação também se debruça sobre uma festa de aniversário de Castro realizada em 2024 em uma mansão em Angra dos Reis. Segundo a apuração, Pipo teria sido o anfitrião da comemoração.
PF analisa documentos apreendidos
Os investigadores agora analisam material encontrado no escritório de advocacia de Pipo. Para a Polícia Federal, os documentos apreendidos apresentam indícios relacionados à administração, ao fluxo e à exploração de ativos, incluindo imóveis e veículos, não apenas de Antônio Carlos, mas também de terceiros.
A Operação Sem Refino 2 apura suspeitas de lavagem de capitais, gestão fraudulenta, evasão de divisas, crimes contra a ordem econômica e corrupção.
Renato Bussiere afirmou confiar na Justiça e estar à disposição para prestar esclarecimentos.
Cláudio Castro declarou que participou, em 2024, de uma comemoração de aniversário realizada em Angra dos Reis em imóvel pertencente a terceiro e negou ter sido proprietário da residência mencionada na investigação.
O ex-governador afirmou ainda que todos os deslocamentos aéreos realizados durante sua gestão seguiram rigorosamente a legislação.
Antônio Carlos da Conceição Santos, o Pipo, não apresentou resposta.
*Com informações do RJ2







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