PF ouve investigados em inquérito sobre fraude do Banco Master

Foram ouvidos o diretor de Finanças e Controladoria do BRB e o superintendente executivo da tesouraria do Banco Master

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A Polícia Federal colheu, nesta segunda-feira (26), os depoimentos de dois investigados no inquérito que apura uma fraude bilionária envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As oitivas ocorreram na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso.
A decisão representou uma mudança no padrão adotado nesse tipo de investigação. Toffoli também alterou o cronograma definido pela Polícia Federal, reduzindo de cinco para dois dias o prazo para a realização dos depoimentos. Segundo o ministro, a medida foi motivada pela limitação de salas e de servidores disponíveis no STF. Delegados da PF, no entanto, avaliaram o prazo como insuficiente diante da complexidade do inquérito.

Foram ouvidos nesta segunda-feira Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo da Tesouraria do Banco Master. Já os depoimentos de André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa usada pelo Master nas negociações, e do empresário Henrique Souza e Silva Peretto foram adiados. As defesas alegaram não ter tido acesso aos autos. Outras quatro oitivas estão previstas para esta terça-feira (27).


Com os depoimentos, a Polícia Federal busca esclarecer as negociações conduzidas pelo BRB para a aquisição do Banco Master. A operação foi suspensa após a identificação de irregularidades e, posteriormente, o Master foi liquidado pelo Banco Central por fraudes financeiras. O BRB desembolsou cerca de R$ 12 bilhões na compra de carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e não possuíam garantias. O Banco Central estima que o prejuízo do BRB seja de, no mínimo, R$ 3 bilhões.
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, utiliza tornozeleira eletrônica desde que deixou a prisão, em 29 de novembro, após passar 12 dias detido preventivamente. Em depoimento prestado no fim de 2025, ele afirmou ter tratado pessoalmente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do banco. O governador negou a versão. A PF chegou a agendar uma nova oitiva de Vorcaro, mas o depoimento foi cancelado após as alterações no cronograma determinadas pelo ministro.

No início de janeiro, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões na segunda fase da operação que investiga as fraudes do Banco Master. Inicialmente, Dias Toffoli determinou que o material apreendido fosse lacrado e enviado ao STF. Posteriormente, a decisão foi revista, e a Procuradoria-Geral da República passou a conduzir a extração e a análise dos dados em conjunto com a PF, com peritos indicados pelo próprio ministro — atribuição que, em geral, cabe ao delegado responsável pelo inquérito.
Nesta segunda-feira, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que o material já está sendo analisado e que as investigações seguem sem prejuízo. Apenas com Daniel Vorcaro, foram apreendidos cinco telefones celulares.
“Não vou entrar em detalhes operacionais de investigações em andamento. Mas é um processo regular. Os peritos já tiveram acesso ao material, e a instrução segue normalmente, sem prejuízo algum”, afirmou Rodrigues.

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