A investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master revelou novos detalhes sobre a apuração que tem como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA). Documentos tornados públicos nesta quinta-feira (30) mostram que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o monitoramento da localização aproximada do celular do parlamentar por dez dias. Paralelamente, um relatório da PF identificou 74 ligações de voz entre Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, ao longo de cerca de um ano e meio.
As duas medidas fazem parte da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas ao antigo Banco Master. Jaques Wagner nega qualquer irregularidade.
Monitoramento da localização foi autorizado pelo STF
Na decisão assinada em 17 de junho, André Mendonça autorizou a PF a acessar dados de localização obtidos por meio das estações rádio-base (ERBs) das operadoras de telefonia, além de registros de chamadas e outros metadados dos aparelhos de seis investigados considerados centrais para a investigação.
Entre eles estão Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima.
O monitoramento em tempo real teve duração de dez dias e, segundo o ministro, tinha como objetivo reconstruir deslocamentos, confirmar encontros entre investigados e subsidiar futuras diligências, como apreensão de celulares e preservação de provas digitais.
Mendonça ressaltou que a autorização não permitia interceptação telefônica nem acesso ao conteúdo de mensagens ou conversas, restringindo-se aos chamados metadados de comunicação.
74 ligações em pouco mais de um ano e meio
Além do monitoramento da localização, a Polícia Federal analisou o celular de Augusto Ferreira Lima, apreendido durante a operação, e identificou 74 chamadas de voz realizadas com Jaques Wagner entre novembro de 2023 e 25 de maio de 2025.
Segundo os investigadores, as conversas ocorreram ao longo de 555 dias, totalizando mais de cinco horas e meia de comunicação, o equivalente a aproximadamente uma ligação a cada 7,5 dias.
Para a PF, o padrão demonstra uma relação de proximidade entre o senador e o empresário.
O relatório também aponta que os dois demonstravam uma “clara e reiterada preferência” por chamadas de voz realizadas por aplicativo de mensagens, evitando comunicações por texto que poderiam deixar registros mais facilmente rastreáveis.
PF investiga supostas vantagens indevidas
Segundo a investigação, a frequência das comunicações ocorre paralelamente à suposta concessão de benefícios atribuídos a gestores ligados ao Banco Master.
Entre os fatos investigados estão o uso de helicópteros, estadias na chamada Ilha da Paixão, compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift e a negociação de um apartamento de luxo em Salvador.
Outro eixo da apuração busca esclarecer se Jaques Wagner teria atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional, especialmente em discussões relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ao crédito consignado e às tratativas envolvendo a tentativa de aquisição da instituição financeira pelo BRB.
Mendonça citou risco de vazamento
Ao autorizar as diligências, André Mendonça afirmou que a Polícia Federal apresentou indícios de que os investigados utilizavam ligações de voz, mensagens temporárias, encontros presenciais e linguagem cifrada para dificultar a produção de provas.
O ministro também registrou preocupação com um possível vazamento das investigações após um dos investigados solicitar audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou os pedidos relacionados à nova fase da operação.
Segundo Mendonça, esse contexto reforçou a necessidade do monitoramento da localização dos aparelhos para preservar a eficácia das diligências.
Até o momento, Jaques Wagner nega ter cometido qualquer irregularidade, e a investigação segue em andamento no Supremo Tribunal Federal, sem conclusão sobre o mérito das acusações.





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