A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (21) a segunda fase da Operação Loris, com o objetivo de apurar a venda irregular de obras de arte apreendidas na primeira fase da investigação. Segundo informa Mirelle Pinheiro em sua coluna no portal Metrópoles, essas peças estavam sob responsabilidade do líder do esquema criminoso, Eduardo Monteiro Wanderley, dono e CEO da Petra Gold, na condição de depositário fiel.
Durante a operação, foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, localizada em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com o intuito de identificar outras obras que possam ter sido ocultadas ou comercializadas ilegalmente.
O grupo comandado por Wanderley ganhou destaque no cenário financeiro do Rio ao emitir debêntures e captar centenas de milhões de reais sem a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo a Polícia Federal, mesmo após o bloqueio judicial dos bens, as obras de arte foram indevidamente vendidas pelo líder da organização, o que motivou a nova ofensiva policial.
Além de crimes financeiros, as investigações apontam que o esquema praticou gestão fraudulenta de instituição financeira e estelionato, ao prometer rendimentos mensais de 1,3% aos investidores, sem respaldo legal ou financeiro.
A organização investiu parte dos recursos captados em patrocínios culturais e esportivos, aquisição de um teatro no Leblon e financiamento de museus como o MAR e o MAM, ações que contribuíram para sua notoriedade.
Em dezembro de 2024, durante a primeira fase da Operação Loris, a Justiça determinou o sequestro de bens de Wanderley e outros envolvidos, num total estimado em R$ 300 milhões.
O investigado poderá responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e emissão ilegal de debêntures, cujas penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
O nome da operação faz referência ao “lóris”, um primata venenoso de aparência dócil, metáfora escolhida pela Polícia Federal para ilustrar a natureza do esquema: “sedutor na superfície, mas altamente nocivo para quem nele confiasse”.





