Escândalo na Abin: PF fez busca e apreensão em condomínio de luxo e levou computadores do gabinete de Carlos Bolsonaro

Trabalho dos agentes foi acompanhado por um assessor do vereador.

A Polícia Federal (PF) encerrou por volta das 9h da manhã desta segunda-feira o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. Os agentes deixaram a Câmara do Rio pela porta lateral e levaram computadores do gabinete do parlamentar carioca. No Vivendas da Barra, condomínio de luxo onde o filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro mora, a saída das viaturas foi observada por curiosos.

Durou cerca de duas horas a operação de busca e apreensão no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Os agentes, que chegaram descaracterizados, apreenderam computadores e documentos. Um assessor do parlamentar acompanhou a ação.

Após o cumprimento dos mandados, os agentes da PF levaram os itens apreendidos para a sede da corporação, situada na Zona Portuária do Rio. O vereador, no entanto, não está na cidade. Carlos está em Angra dos Reis, na região da Costa Verde do estado. Lá, onde a família tem uma casa, ele participou de uma live com seu pai e irmãos neste último domingo (28).

O filho do ex-presidente é suspeito de ter sido um dos destinatários das informações levantadas de forma clandestina pela Abin.

Além de Carlos Bolsonaro, um policial federal que integrava os quadros da Abin na gestão passada é alvo da operação deflagrada nesta segunda-feira. Ao todo, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão: cinco no Rio, um em Brasília, um em Formosa (GO) e um em Salvador.

Em nota, a PF informou que busca “avançar no núcleo político, identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente no âmbito da Abin, por meio de ações clandestinas”. Ainda de acordo com a corporação, o grupo usou “técnicas de investigação próprias das polícias judiciárias, sem, contudo, qualquer controle judicial ou do Ministério Público”.

Na quinta-feira passada, a Polícia Federal realizou uma operação para apurar suspeitas de espionagem ilegal na Abin. O alvo foi o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), delegado da Polícia Federal e homem de confiança do clã Bolsonaro que dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência durante boa parte do governo.

Ramagem foi escolhido para assumir a Abin após ter coordenado a segurança de Jair Bolsonaro durante as eleições presidenciais em 2018. O delegado federal se aproximou de Carlos Bolsonaro, que o apoiou durante a campanha para deputado federal em 2022.

Durante sua gestão, a Abin utilizou um programa secreto chamado FirstMile para monitorar a localização de pessoas pré-determinadas por meio dos seus aparelhos celulares. A PF abriu um inquérito e identificou que a ferramenta foi utilizada para monitorar políticos, jornalistas, advogados e adversários do governo.

A ferramenta foi produzida pela empresa israelense Cognyte (ex-Verint) e era operada, sem qualquer controle formal de acesso, pela equipe de operações da agência de inteligência.

A lista completa das pessoas espionadas irregularmente ainda não é conhecida, mas a PF já identificou indícios de que adversários políticos do ex-presidente foram alvos: entre eles estão o ex-deputado Jean Wyllys e David Miranda, marido do jornalista Glenn Greenwald e deputado federal pelo PDT do Rio, que morreu em maio retrasado.

Há ainda a suspeita de que foram feitas vigilâncias durante as eleições municipais e em regiões próximas ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), além de áreas nobres em Brasília e no Rio de Janeiro.

Com informações do GLOBO.

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