A Polícia Federal considera foragido o presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes, apontado como líder do esquema de fraudes em descontos indevidos no INSS. Ele teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do STF, no dia 11 de novembro.
A PF tentou cumprir a ordem judicial na quinta-feira (13), durante a nova fase da operação Sem Desconto. A entidade foi a segunda com mais descontos em benefícios previdenciários entre 2019 e 2024, somando R$ 484 milhões, segundo a CGU.
Assessoria diz não ter contato com Lopes
A assessoria da Conafer informou que não consegue contato com o presidente desde a manhã de quinta-feira. Em entrevista concedida em outubro, Lopes havia negado risco de fuga e disse que se apresentaria caso sua prisão fosse decretada.
Durante a conversa, ele também acusou irregularidades na condução da CPI do INSS e afirmou ser alvo de perseguição política.
PF aponta liderança direta no esquema
Segundo relatório da Polícia Federal, Lopes controlava transferências financeiras, orientava as fraudes e articulava politicamente o grupo investigado. Ele também teria ordenado a coleta de assinaturas de beneficiários por meio de visitas domiciliares que induziam idosos a preencher documentos falsos.
Na decisão que determinou sua prisão, Mendonça afirmou que Lopes seria o “centro de gravidade” da organização criminosa, com poder decisório sobre todos os núcleos do esquema.
Propinas e conexões com agentes públicos
A PF afirma que o operador financeiro de Lopes seria o empresário Cícero Marcelino de Souza Santos, preso na operação. Ele teria repassado propinas a agentes públicos, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, que supostamente receberia R$ 250 mil mensais — acusação negada pela defesa do ex-gestor.
Lopes já havia sido preso em flagrante em setembro por falso testemunho após depor à CPI do INSS.
Conafer contesta investigação e fala em “espetacularização”
Em nota, a Conafer afirmou acompanhar o caso com preocupação e declarou que todos os citados têm direito à ampla defesa. A entidade disse confiar nas instituições, mas pediu que a apuração ocorra com “isonomia, transparência e sem espetacularização”.
A confederação também afirmou que tomará medidas legais para proteger seus dirigentes e manter a continuidade dos serviços prestados.
Valores, armas e objetos de luxo apreendidos
Na nova etapa da operação, a PF apreendeu R$ 720 mil em espécie, US$ 72 mil (cerca de R$ 381 mil), 23 relógios de luxo, 106 peças de joias, 43 veículos, 57 celulares, além de oito armas, 314 munições, computadores e notebooks.
As investigações continuam para localizar Lopes e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras da organização.





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