PF apreende espingarda registrada em nome de Bolsonaro no RS

Arma estava na casa de empresário que afirmou não ter conseguido entregá-la ao ex-presidente; item passa a integrar conjunto de armamentos apreendidos pela Polícia Federal.

A Polícia Federal (PF) apreendeu nesta quarta-feira (8) uma espingarda registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma operação no Rio Grande do Sul. O armamento foi localizado na casa do proprietário de uma empresa do setor de armamentos, que afirmou não ter conseguido fazer a entrega da arma ao ex-presidente. A apreensão ocorre no mesmo dia em que agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro, em Brasília.

A espingarda, uma Maestro Arms Company calibre 12, foi encontrada em Caxias do Sul (RS) e entregue pelo empresário à delegacia da Polícia Federal. Segundo os investigadores, embora o registro já estivesse em nome de Bolsonaro, a arma nunca chegou a ser entregue ao ex-presidente.

De acordo com a PF, o empresário explicou que a espingarda havia sido transferida para Bolsonaro como presente, mas, como não conseguiu concluir a entrega, permaneceu com o equipamento guardado. Como a arma já não estava registrada em seu nome, ele afirmou que não poderia transportá-la sem descumprir as regras previstas na legislação.

Arma estava em endereço diferente do informado

Os investigadores informaram ainda que o local onde a espingarda foi encontrada é diferente do endereço informado pela defesa de Bolsonaro ao indicar onde o armamento estaria armazenado.

Segundo integrantes da Polícia Federal, o empresário decidiu entregar a arma após acompanhar a repercussão da operação e tomar conhecimento de que o item fazia parte da relação de armamentos procurados pela corporação.

A espingarda permanecerá sob a guarda da Polícia Federal no Rio Grande do Sul até nova determinação.

Nove das dez armas já estão com a PF

Com a apreensão da espingarda, a Polícia Federal informa que nove das dez armas registradas em nome de Jair Bolsonaro já estão sob custódia da corporação.

A única exceção é uma pistola Glock, que, segundo a defesa do ex-presidente, está sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), após ter sido apreendida com um agente responsável pela segurança da residência de Bolsonaro.

Entre os armamentos já recolhidos pela PF estão pistolas, espingardas e carabinas de calibres permitidos e restritos, conforme a relação apresentada na decisão judicial.

Operação também fez buscas na residência de Bolsonaro

Também nesta quarta-feira, agentes da Polícia Federal cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente, em Brasília. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de localizar armas, munições e documentos relacionados aos registros dos armamentos.

Durante cerca de uma hora, os policiais realizaram buscas nos cômodos da residência, mas nenhuma das armas procuradas foi encontrada no imóvel.

Defesa critica operação

O advogado João Henrique Freitas, que representa Jair Bolsonaro, criticou a ação da Polícia Federal. Em nota, afirmou que “é lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”.

A investigação continua para esclarecer a localização de todos os armamentos registrados em nome do ex-presidente e verificar a regularidade da guarda de cada um deles.

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