PF aponta repasse de R$ 4,4 mi ligado a Pablo Marçal e MC Ryan

Transação é investigada na Operação Narcofluxo, que apura lavagem de dinheiro para o PCC; defesas negam irregularidades

Uma empresa ligada ao empresário e ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal realizou uma transferência de R$ 4,4 milhões para a conta pessoal do funkeiro MC Ryan SP, segundo investigação da Polícia Federal. O repasse é um dos pontos analisados na Operação Narcofluxo, que apura um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com os investigadores, o valor teria origem na empresa R66 Air Ltda., que tem Marçal como sócio, e pode estar relacionado à negociação de um helicóptero modelo Robinson R66 Turbine. A suspeita é baseada na compatibilidade entre o capital social da empresa e o valor de mercado da aeronave.

A assessoria de Marçal confirmou a existência da transferência, mas contestou a versão apresentada pela investigação. Segundo a defesa, o pagamento não se refere à compra do helicóptero, e sim à aquisição de parte de um imóvel. Já os advogados de MC Ryan afirmam que todos os valores movimentados pelo artista têm origem lícita, com documentação comprobatória e recolhimento regular de tributos.

Prisão de MC Ryan

MC Ryan foi preso na última semana durante a deflagração da operação, sob suspeita de liderar uma estrutura de ocultação de patrimônio vinculada ao tráfico internacional de drogas. Conforme a PF, o esquema utilizava rifas, plataformas de apostas ilegais e empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos.

As investigações apontam que a organização teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, com apoio de contratos com fintechs e conexões com outras apurações em curso, como a Operação Compliance Zero e a Operação Sem Desconto.

Um dos principais operadores financeiros do esquema, segundo a PF, é o contador Rodrigo Morgado, preso desde outubro de 2025. A defesa dele sustenta que sua atuação sempre ocorreu dentro da legalidade.

Ao todo, a Operação Narco Fluxo cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, dos quais 33 foram executados. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e rastrear o fluxo financeiro do grupo.

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