A investigação da Polícia Federal sobre suspeita de venda de decisões judiciais identificou indícios de atuação do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves em processos de interesse do ex-senador Luiz Estevão no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os relatórios também citam a participação de uma advogada casada com um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Investigação mira atuação no STJ
Segundo os documentos produzidos pela PF, Andreson teria atuado em processos relacionados ao Grupo OK, empresa ligada a Luiz Estevão. A apuração também envolve o ministro do STJ Moura Ribeiro, que passou a ser investigado após autorização do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF identificou três conjuntos de indícios que fazem referência ao ex-senador. Um deles surgiu a partir de mensagens extraídas do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado no fim de 2023.
De acordo com os investigadores, Andreson teria compartilhado com Zampieri uma imagem atribuída a uma conversa com Luiz Estevão para demonstrar que havia conseguido uma decisão favorável em um processo relatado por Moura Ribeiro. A PF também verificou que o número de telefone do ex-senador estava salvo na agenda do lobista.
Advogadas aparecem entre os indícios
Outro ponto levantado pela investigação envolve Mirian Ribeiro Gonçalves, mulher de Andreson. Segundo a PF, ela foi constituída como advogada do Grupo OK em um processo que tramitou no STJ. A advogada também é investigada por suspeita de atuar em conjunto com o lobista no suposto esquema de venda de decisões.
Os investigadores encontraram ainda conversas entre Andreson e Aline Gonçalves de Sousa, advogada casada com um desembargador do TRF-1. Ela aparece como representante jurídica em processos envolvendo empresas de Luiz Estevão que tramitaram no STJ.
Para a PF, os diálogos indicam que Andreson e Aline teriam atuado conjuntamente em processos de interesse do ex-senador. O relatório afirma que as informações podem apontar para novos fatos relacionados a processos que passaram pelo gabinete de Moura Ribeiro.
Print de conversa é contestado
A investigação também cita uma captura de tela que teria sido enviada por Andreson a Zampieri. Na imagem, aparece um registro do sistema do STJ indicando uma decisão favorável a uma empresa ligada a Luiz Estevão.
Segundo a PF, o conteúdo teria sido compartilhado pelo lobista com a intenção de comemorar uma decisão que beneficiaria os interesses do grupo empresarial. No material, aparece uma suposta resposta atribuída ao ex-senador questionando se Andreson conseguiria obter a decisão.
Luiz Estevão, porém, negou ter contratado o lobista e afirmou que não reconhece a autenticidade da conversa. Ele também declarou que a decisão citada não teria analisado o mérito do processo e que o recurso acabou sendo negado posteriormente pelo STJ.
Pagamentos também entram na apuração
Além da atuação profissional das advogadas, a PF identificou outro elemento considerado relevante na investigação. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que Mirian Ribeiro Gonçalves teria realizado pagamentos que somam R$ 938 mil para Aline Gonçalves de Sousa.
A investigação ainda está em andamento e, segundo a PF, novos relatórios estão sendo elaborados a partir das informações extraídas do celular de Andreson. Os investigadores também analisam possíveis conexões entre os envolvidos e processos que tramitaram no STJ.
Luiz Estevão afirmou que Aline atuou em alguns processos de sua empresa, mas negou qualquer contratação de Andreson. A advogada também rejeitou as acusações e disse que os fatos apresentados pela investigação não têm veracidade, concretude ou respaldo probatório. A defesa do lobista, por sua vez, afirmou que a apuração busca identificar uma autoridade com foro para justificar a permanência do caso no STF.






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