Pesquisa: uma em cada sete mulheres brasileiras já fez no mínimo um aborto

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) de 2021 mostra que uma em cada sete mulheres brasileiras, com idade próxima aos 40 anos, já fez pelo menos um aborto. O levantamento ouviu 2 mil mulheres em 125 municípios. O levantamento indica que mais da metade (52%) do total de mulheres que abortou tinham 19 anos de…

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) de 2021 mostra que uma em cada sete mulheres brasileiras, com idade próxima aos 40 anos, já fez pelo menos um aborto. O levantamento ouviu 2 mil mulheres em 125 municípios.

O levantamento indica que mais da metade (52%) do total de mulheres que abortou tinham 19 anos de idade ou menos, quando fizeram seu primeiro aborto. Deste contingente (abaixo de 19 anos), 46% eram adolescentes entre 16 e 19 anos e 6%, meninas entre 12 e 14 anos. 

O estudo foi coordenado pela antropóloga e professora da Universidade de Brasília, Débora Diniz; pelo professor visitante da Columbia University, Marcelo Medeiros; e pelo professor da Universidade Estadual do Piauí, Alberto Madeiro. 

Em 2021, 21% das mulheres que abortaram realizaram um segundo procedimento, chamado aborto de repetição. Entre elas, estão predominantemente mulheres negras.

Parte das entrevistadas (39%) usou medicamento para interromper a gestação. Além disso, 43% das mulheres foram hospitalizadas para finalizar o aborto.

“Nessas situações, temos relatos traumáticos de perseguição, convocação da polícia, mulheres algemadas nos hospitais. Então, há impacto na saúde pública pela ocupação de leitos, na saúde das mulheres porque, por alguma razão, utilizaram medicamentos inseguros, indevidos ou foram para a clandestinidade em clínicas inseguras, ou porque não tem a informação sobre como é um aborto. Por isso, procuram os hospitais”, disse a antropóloga e uma das autoras do estudo Débora Diniz.

A pesquisa indicou, ainda, que a gravidez não-planejada foi comum entre as mulheres no Brasil. Duas em cada três mulheres grávidas (66%) não havia planejado a gravidez. Débora Diniz aponta a educação sexual como parte da solução “para que esse último recurso, do aborto, não seja utilizado”.

(Com informações da Agência Brasil)

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