O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu nesta segunda-feira (15) a manutenção e o fortalecimento do Bolsa Família, manifestou apoio à isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e fez uma autocrítica sobre a relação do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com a imprensa. As declarações foram feitas durante o fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja, em São Paulo.
Ao abordar a relação entre governo e veículos de comunicação, o parlamentar afirmou que pretende adotar uma postura diferente caso dispute e vença a eleição presidencial. Segundo ele, houve falhas na condução do relacionamento institucional durante a administração anterior.
“Para mim, a imprensa exerce um papel fundamental. E acho que foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro, o relacionamento com a imprensa, o preconceito, muitas vezes, de quem estava gerindo o orçamento para a publicidade, com relação a alguns veículos de comunicação. Isso tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada, a gente não precisa repetir o erro”, afirmou.
Bolsa Família como garantia de segurança
Durante o evento, Flávio também rebateu críticas direcionadas aos beneficiários de programas sociais e classificou o Bolsa Família como uma importante rede de proteção para famílias de baixa renda. O senador defendeu a ampliação dos mecanismos que permitam a transição para o mercado formal de trabalho sem a perda imediata do benefício.
“Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e eu perder o Bolsa Família, e se eu perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar? Vou voltar para aquela época que eu passava fome, que eu tinha que pedir dinheiro no sinal de trânsito?’”, afirmou.
O senador anunciou ainda que pretende propor “a criação de um programa para garantir que as pessoas permaneçam ganhando o Bolsa Família em caso de passarem para um emprego formal ou abrirem a sua própria empresa por um período mais longo”. Atualmente, beneficiários que conseguem emprego com carteira assinada podem continuar recebendo parte do auxílio por até dois anos, desde que atendam aos critérios de renda estabelecidos pelo programa.
Isenção do IR e críticas ao governo Lula
Outro tema abordado por Flávio Bolsonaro foi a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. Embora tenha apoiado a medida, ele afirmou que a ideia já fazia parte das promessas da gestão anterior e aproveitou para criticar a política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Eu sou favorável, era uma promessa de campanha também do presidente Bolsonaro. A única diferença é que, com o Bolsonaro, certamente, você teria uma compensação de abrir mão dessa receita, você teria de onde tirar, sem precisar aumentar ou criar impostos. O atual governo faz o contrário, esfola o contribuinte brasileiro com elevadíssima carga tributária para poder cumprir essa promessa de campanha’, disse.






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