Perícia da Polícia Federal (PF) realizada no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, concluiu que os dois detentos que fugiram tinham objetos metálicos em suas celas. Com esses objetos, conseguiram arrancar uma luminária e ampliar o buraco por onde fugiram. A posse de tais artefatos constitui violação ao protocolo de segurança do presídio, considerado um dos mais seguros do país.
A avaliação da equipe que investiga como aconteceu a fuga é que tanto a retirada da luminária quanto o buraco não tenham sido feitos de uma hora para outra, mas aos poucos ao longo de dias. A hipótese aventada pela PF é que os presos usaram um lençol na ponta do objeto para abafar o barulho.
A PF investiga como um artefato metálico chegou às mãos dos presos, já que até as giletes utilizadas por eles para se barbear precisam ser devolvidas diariamente e as canetas são entregues desmontadas. Pelo protocolo, as celas passam por inspeção diária toda vez que os detentos saem para o banho de sol e depois são revistados.
A perícia na unidade prisional de onde os dois presos ligados ao Comando Vermelho fugiram na madrugada da última quarta, 14, terminou nesta sexta. Entre as fotos feitas pelos peritos, uma mostra o buraco na parede da cela por onde a dupla teria escapado.
Os presos arrancaram uma parte metálica onde ficava a luminária da cela. Dali, subiram até o teto da penitenciária onde acessaram uma espécie de shaft, uma abertura entre as paredes por onde passam tubulações de água e ventilação. Depois, atravessaram um tapume que cobria um canteiro de obras, de onde arranjaram um alicate. O presídio passava por uma obra de readequação no pátio onde ocorre o banho de sol.
A ferramenta foi utilizada para cortar o alambrado e fazer uma passagem para fora do presídio.
Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, na hora da evasão, algumas câmeras de segurança e lâmpadas não estavam funcionando adequadamente, o que contribuiu para que os guardas só detectassem a fuga uma hora e meia depois do ocorrido, quando conferiram a cela vazia. Lewandowski também disse que naquele momento os servidores estavam “mais relaxados” em razão do feriado de carnaval.
Uma investigação foi instaurada pela Polícia Federal para apurar se a fuga foi realizada com a ajuda de algum agente penitenciário ou operário da obra. Além de fazer o exame da cela, os peritos recolheram objetos com material genético para saber se mais alguém acessou o local onde os presos estavam abrigados.
Com informações de O Globo.





