Agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop), com apoio das polícias Militar e Civil, voltaram, nesta terça-feira, ao Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, para seguir com a demolição de um condomínio irregular do tráfico no Parque União. Batizado de Novo Horizonte, o local tem mais de 40 prédios, espaço para lojas e cobertura de luxo. Por causa da ação, 26 unidades escolares das redes municipal e estadual suspenderam as aulas.
De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o Parque União vem sendo utilizado há anos para a construção e abertura de empreendimentos. De acordo com a Seop, a demolição do Novo Horizonte está sendo feita à mão, uma vez que as máquinas não conseguem acessar o local e devido à existência de outras construções habitadas no entorno. Até esta segunda-feira, a secretaria já havia descaracterizado cerca de 70 unidades de 11 prédios.
De acordo com a Polícia Civil, as ações em sequência no Parque União revelaram uma estratégia do Comando Vermelho (CV), facção criminosa que controla a região, de colocar ao menos uma pessoa em cada unidade habitacional para fingirem ser moradores e dificultarem as demolições. Na primeira fase da operação, cerca de 90% dos prédios estavam vazios.
Na segunda-feira, foram apreendidos mais de 800 quilos de entorpecentes, uma carabina, duas pistolas, um carregador, duas granadas, rádios de comunicação, bloqueador de sinal de GPS e material proveniente de roubos de cargas, incluindo 500 caixas de produtos de beleza e galões e latões de tinta.
Além das escolas fechadas, unidades municipais de saúde também tiveram o funcionamento afetado. A Clínica da Família (CF) Jeremias Moraes da Silva suspendeu as atividades. Já a CF Diniz Batista dos Santos mantém o atendimento, mas não realiza atividades externas, como as visitas domiciliares.
Prejuízo de R$ 30 milhões
A polícia estima que ao menos 40 construções compõem o condomínio Novo Horizonte, localizado na Avenida Brigadeiro Trompowski 130. O terreno tem cerca de 3.314 m² de extensão, uma academia, um campo de futebol e o Ciep Professor César Pernetta, da rede estadual, como vizinhos. Os engenheiros da prefeitura estimam prejuízo de R$ 30 milhões aos responsáveis pelas construções.
Os prédios, cuja maior parte ainda estava na fase de alvenaria (tijolo e argamassa), tinham até seis andares. Nenhum deles estava totalmente pronto, mas algumas unidades chegaram a ter moradores antes de serem interditadas. Durante a demolição, os agentes se depararam com duas coberturas luxuosas. Só a demolição delas, segundo a Seop, resultará em prejuízo de R$ 5 milhões aos construtores.
Ambas têm cozinha gourmet, piscina e até área para bronzeamento. Parte da parede e das bancadas da cozinha, por exemplo, são em porcelanato preto, a pia é “invisível”, as janelas de vidro (estilo blindex) e a churrasqueira é embutida. A piscina tem até queda d’água e dezenas de espreguiçadeiras ao redor.
Com informações do GLOBO.





