A operação de demolição de um condomínio no Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, entrou no seu oitavo dia consecutivo nesta segunda-feira (26). De acordo com a polícia, o condomínio foi construído por traficantes. Como resultado da ação policial, 26 escolas suspenderam as aulas, incluindo duas da rede estadual e 24 da rede municipal.
Entre as escolas afetadas está a Escola Municipal Maria Amélia Castro Belford, onde, no último domingo, a Polícia Militar encontrou uma tonelada de maconha escondida em dutos de ar na parte externa do prédio.
Além das escolas, dois postos de saúde também foram impactados. A Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva interrompeu os atendimentos, enquanto a Clínica da Família Diniz Batista dos Santos suspendeu atividades externas, como visitas domiciliares.
Moradores da Maré expressaram descontentamento com a presença policial no complexo de favelas durante o fim de semana, afirmando que foram surpreendidos pela operação. Muitos relataram incômodo com a circulação dos veículos blindados, conhecidos como “caveirões”, pelas ruas da comunidade.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), as equipes completaram a demolição manual de um dos pavimentos, permitindo o acesso de máquinas pesadas. Contudo, ainda é necessário que os prédios vizinhos sejam desocupados para que a retroescavadeira possa iniciar o trabalho.
No último sábado, uma equipe da Secretaria de Habitação esteve no Parque União e cadastrou cerca de 40 unidades habitacionais. Nos próximos dias, esses cadastros serão analisados para identificar quais moradores têm direito ao Auxílio Habitacional Temporário, utilizando uma lista inicial fornecida pela Associação de Moradores.
As investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) apontam que o Parque União vem sendo utilizado há anos como parte de um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, através da construção e abertura de empreendimentos. Os agentes também investigam a possível participação de funcionários de órgãos comunitários no esquema criminoso.
A operação revelou uma estratégia da facção criminosa, que consiste em colocar ao menos uma pessoa em cada unidade habitacional para simular que são moradores, com o objetivo de dificultar as demolições. Na primeira fase da operação, foi constatado que aproximadamente 90% dos prédios estavam desocupados.
Com informações de O Globo.





