O Vaticano decidiu afastar o responsável pelo tradicional Mosteiro de São Bento, em São Paulo, após denúncias de pedofilia. Também estão afastados os acusados de abusos, mas estes não foram punidos.
Segundo reportagem do Fantástico que foi ar ontem (5), o abade que comanda o mosteiro foi afastado e um interventor foi colocado no lugar dele.
Depois de mais de um ano de investigação, em junho do ano passado, quatro religiosos foram acusados de abuso sexual pelo Ministério Público. Um deles morreu de Covid em dezembro de 2020, mas os outros seguem respondendo processo. Eles foram ouvidos pela polícia e negam o crime.
Segundo os religiosos, o então abade Mathias Tolentino Braga, conhecido como Dom Mathias, teria sido informado sobre os abusos, mas preferiu acobertá-los. À época das situações descritas pelos jovens, ele era o principal responsável pela instituição. Desde 2019, um decreto assinado pelo Papa Francisco como uma resposta aos constantes escândalos de abusos na Igreja Católica obriga padres e religiosos a denunciarem às autoridades eclesiásticas qualquer suspeita de crimes sexuais.
O Ministério Público está investigando os monges Rafael Bartoletti, conhecido como irmão Hugo, Marcílio Miranda Proença, chamado de Dom Francisco, Josiel Amaral e Dom João Batista. As acusações foram feitas em 2019 por dois jovens que teriam sido assediados quando ainda eram menores de idade.
Um dos denunciantes afirmou que o primeiro crime aconteceu quando ele tinha apenas 16 anos e sonhava em virar seminarista. O primeiro a assediá-lo foi Irmão Hugo.
“Ele veio na minha direção e começou a me forçar pra baixo para um ato de sexo oral. Eu tirei a mão dele, aí eu fiquei um pouco nervoso, falei pra ele que queria sair de lá, queria voltar pra onde estavam os outros meninos, e ele foi e falou: ‘calma’. Abriu a porta, e me levou de volta”, contou.
O outro rapaz disse que procurou ajuda após ser assediado, por troca de mensagens, também pelo Irmão Hugo. Ele relatou que o religioso lhe enviou elogios, pedidos inapropriados e até mesmo uma foto sem camisa. Ao procurar o monge Marcílio Miranda Proença, chamado de Dom Francisco, a vítima passou a ser assediada também pelo sacerdote.
“Eles tentavam tocar na gente e depois falavam que era sem querer. E os irmãos, eles tinham uma brincadeira de falar que eu era a empregada, eles usavam sempre no feminino, empregada… como eu sou nordestino, eles me chamavam, a nordestina, então eles faziam muito dessas piadinhas”, declarou o jovem.
O Mosteiro de São Bento enviou ao Fantástico uma nota afirmando que os acusados foram afastados. A instituição pediu desculpas às vítimas e seus familiares e disse que repudia a má-conduta dos agora ex-membros.






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