As declarações do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo durante uma transmissão ao vivo no YouTube provocaram nova controvérsia no campo da direita brasileira. Em meio às disputas internas envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, Figueiredo afirmou que as mulheres “votam estatisticamente muito mal” e direcionou críticas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Figueiredo associou a atuação política de Michelle ao desempenho eleitoral do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
Durante a transmissão, Figueiredo sustentou que mulheres solteiras teriam maior propensão a fazer escolhas eleitorais equivocadas, enquanto mulheres casadas tenderiam a acompanhar a preferência política dos maridos. As declarações foram acompanhadas de comentários considerados ofensivos e provocativos em relação ao movimento feminista.
“Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não. Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, afirmou.
Declarações associam comportamento eleitoral ao gênero
Ao comentar padrões de votação, Paulo Figueiredo afirmou que mulheres solteiras seriam estatisticamente mais inclinadas a votar em candidatos de esquerda. O blogueiro também utilizou o cenário político dos Estados Unidos como exemplo, alegando que, caso apenas mulheres participassem das eleições norte-americanas, os candidatos do Partido Democrata venceriam a maior parte das disputas presidenciais.
A declaração ocorre em um contexto de crescimento, nos Estados Unidos, de grupos conservadores radicais que questionam o sufrágio feminino. Alguns influenciadores e líderes religiosos da extrema direita norte-americana passaram a defender a revisão da 19ª Emenda da Constituição dos EUA, responsável por garantir o direito ao voto das mulheres há mais de um século, além de propor restrições adicionais ao exercício desse direito.
Movimento contra o voto feminino reúne influenciadores
Entre os nomes citados como defensores desse discurso nos Estados Unidos estão o influenciador de extrema direita Nick Fuentes, o pastor Doug Wilson, integrante da Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas, e o líder religioso Dale Partridge, apoiador do presidente norte-americano Donald Trump, informa Diário do Centro do Mundo.
No Brasil, setores ligados ao bolsonarismo também passaram a reproduzir argumentos semelhantes. Segundo relatos mencionados por Figueiredo, alguns apoiadores compartilharam análises do comportamento eleitoral feminino nas eleições presidenciais de 2022 para sustentar a tese de que mulheres votariam majoritariamente em candidatos de esquerda.
Ataques a Michelle Bolsonaro racham bolsonarismo
Durante a mesma transmissão, Paulo Figueiredo criticou diretamente Michelle Bolsonaro após a divulgação de um vídeo no qual a ex-primeira-dama relata ter se sentido “humilhada” por um de seus enteados. Para o blogueiro, a manifestação pública de Michelle teria ocorrido em um momento delicado para a estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro.
Segundo Figueiredo, pesquisas recentes indicariam dificuldades do senador junto ao eleitorado feminino, justamente o segmento no qual Michelle Bolsonaro possui maior influência política. O comentarista afirmou que as declarações da ex-primeira-dama poderiam prejudicar os esforços para reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro entre as mulheres.
Michelle enfrenta resistência entre aliados de Bolsonaro
Os ataques contra Michelle Bolsonaro não se restringem a Paulo Figueiredo. Nos últimos anos, a ex-primeira-dama tornou-se alvo frequente de críticas e ataques verbais de integrantes e apoiadores históricos do bolsonarismo. Entre os principais opositores internos está o ex-vereador Carlos Bolsonaro, que tem protagonizado divergências políticas e pessoais com Michelle.
Outro nome que já direcionou críticas à ex-primeira-dama é o blogueiro Allan dos Santos, que anteriormente acusou Michelle de priorizar sua própria projeção política em detrimento da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.






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