Paulinho da Força ameaça travar votação do Imposto de Renda se projeto de redução de penas não for apreciado

Deputado afirmou que, sem avanço em proposta para condenados dos atos golpistas, texto do IR pode não ser votado

O relator do projeto que reduz penas de condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou nesta quarta-feira (24) que pretende levar o texto ao plenário da Câmara na próxima terça-feira (30). Segundo ele, caso a votação não ocorra, a proposta que amplia a isenção do Imposto de Renda — prioridade do governo Lula (PT) — pode não ser analisada no dia seguinte (1º).

A fala do parlamentar foi vista por petistas como uma forma de chantagem política, especialmente após os atos de domingo (22), que mobilizaram milhares em defesa da democracia e contra a anistia aos golpistas. Mesmo assim, o PT mantém posição firme: não apoiará a redução de penas nem qualquer tentativa de anistia.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já anunciou que o projeto do IR será votado no dia 1º, mas Paulinho insiste em vincular os dois temas. “Acho até que se não votar isso [redução de penas], não vai votar o IR”, disse o deputado após reunião com a bancada petista, acompanhado do líder do partido, Lindbergh Farias (RJ).

O encontro serviu para reforçar a posição unificada do PT. Lindbergh declarou que “qualquer pressão sobre a bancada não terá efeito”. O relator, por sua vez, continua em articulação para conquistar maioria e já passou por reuniões com bancadas de partidos como PL, MDB, Republicanos, Solidariedade e Avante. Nesta quarta, ele ainda busca apoio de PSDB, União Brasil, PP e Podemos.

Com a recente pressão das ruas contra a anistia, o impasse expõe um dos principais embates atuais no Congresso: de um lado, parlamentares que defendem flexibilizar punições; de outro, setores governistas e movimentos sociais que consideram inegociável a responsabilização pelos ataques ao Estado democrático de direito.

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