PANDORA PAPERS/Presidente da CPI da Covid admite que Guedes e presidente do Banco Central podem ser convocados a depor

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, erraram ao manterem offshores em seus nomes depois de chegarem aos cargos atuais. Para ele, ao fazê-lo, levantaram dúvidas quanto à lisura do trabalho que fizeram. “É uma…

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, erraram ao manterem offshores em seus nomes depois de chegarem aos cargos atuais.

Para ele, ao fazê-lo, levantaram dúvidas quanto à lisura do trabalho que fizeram. “É uma coisa que, mesmo que não haja nada de errado, não é bom para o cargo. Como quem opera a valorização de desvalorização do dólar, mantém uma fortuna na moeda? Fica difícil defender”, afirmou ao Poder360.

Segundo Omar, apenas com a desvalorização do real ante o dólar, os 2 já ganharam milhões. “Olha a evolução. Quando entraram, o dólar estava a R$ 3,70. Agora, acima de R$ 5,30. Só com isso, olha quantos milhões eles ganharam”, disse.

Guedes manteve ao menos US$ 9,55 milhões. Campos Neto, tinha ao menos US$ 1,09 milhão. Omar afirmou que nunca permitiu que Paulo Guedes ou Roberto Campos Neto fossem convocados pela CPI pelos danos que isso traria no exterior à imagem econômica do Brasil. Agora, a situação mudou.

“Não deixei convocá-los para não mexer com a economia. Agora, se vier um pedido, teria que ver. Tínhamos marcado para concluir a CPI nesta semana, mas tudo é possível”, afirmou.

MEMÓRIA

O Pandora Papers aponta para os dois homens mais poderosos do seu universo econômico: o ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nenhum dos dois divulgou publicamente suas operações offshore antes de assumir cargos nos quais participariam da tomada de decisões sobre esse tipo de investimento. Este possível conflito afeta especialmente o Ministro da Economia, que lidera uma reforma tributária que, em sua versão atual, reduziu a pressão sobre o dinheiro das pessoas físicas em paraísos fiscais.

Guedes, de 72 anos, aparece como acionista da empresa Dreadnoughts International Group, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Trata-se de uma shelf company, como são conhecidas no jargão financeiro: empresas fundadas em paraísos fiscais, mas que podem permanecer anos sem atividade à espera de que alguém lhes dê uma função. Os documentos mostram que o ministro, guru econômico do presidente Jair Bolsonaro, e uma das personalidades mais polêmicas do gigante sulamericano por suas conexões com a elite financeira, tinha em 2014 pelo menos 8 milhões de dólares (43,3 milhões de reais, pelo câmbio atual) investidos na companhia, registrada em seu nome e nos de sua esposa, Maria Cristina Bolívar Drumond Guedes, e da filha, Paula Drumond Guedes.

O presidente do Banco Central, Campos Neto, é dono de quatro empresas. Duas delas, Cor Assets e ROCN Limited, são registradas no Panamá em sociedade com sua esposa, a advogada Adriana Buccolo de Oliveira Campos. O objetivo declarado das empresas é investir nos ativos financeiros do Santander Private Bank, cujo conselho executivo Campos Neto integrou no passado. As outras offshores são Peacock Asset Ltda, gerida pelo banco Goldman Sachs, e que foi descoberta na investigação do Bahamas Leaks, de 2016. A quarta empresa é a Darling Group, que segundo o Banco Central informou em nota, é uma empresa de “gestão de bens imóveis”.

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