PANDORA PAPERS/Brasileiros que desviaram fortunas para offshores devem R$ 16 bilhões à União em impostos

Documentos do Pandora Papers mostram que 66 dos maiores devedores brasileiros de impostos têm offshores em paraísos fiscais. Suas dívidas somam R$ 16,6 bilhões. Entre eles estão Eike Batista e José Janene, este já falecido. As empresas são populares entre as pessoas mais ricas e são criadas para dribles fiscais. São usadas para economizar com…

Documentos do Pandora Papers mostram que 66 dos maiores devedores brasileiros de impostos têm offshores em paraísos fiscais. Suas dívidas somam R$ 16,6 bilhões. Entre eles estão Eike Batista e José Janene, este já falecido. As empresas são populares entre as pessoas mais ricas e são criadas para dribles fiscais. São usadas para economizar com pagamentos de impostos, proteger ativos contra confiscos e ocultar patrimônio.

Todos os citados têm débitos somados acima de R$ 20 milhões na Dívida Ativa da União, segundo levantamento do site Metropoles. Eis uma primeira lista apurada de sonegadores e devedores da Receita Federal que mantêm dinheiro secretamente em offshores no exterior:

Eike Batista deve R$ 3,8 milhões e seu nome está ligado a duas offshores: a Farcrest Investment e a Green Caritas Trust. A primeira foi criada em 2006 e a segunda, em 2011.

Claudio Rossi Zampini é outro nome que aparece na lista. Ele é associado a empresas como a CRZ Telecomunicações e a Flamingo Táxi Aéreo. Aparece direta ou indiretamente associado a nove empresas e deve R$ 1,3 bilhão na Dívida Ativa da União. São três offshores nas Ilhas Virgens Britânicas: a Lizza Properties (2008), Flamingo Jet Air (2010) e Encinita Holdings (2011).

Jonathan Couto de Souza é cantor e influenciador digital e aparece na lista. Atua na Clean Indústria e Comércio de Cigarros, na qual tem 21% do capital. Tem débito de R$ 1,2 bilhão e a offshore Ranfed Investments.

Empresário do setor de postos com R$ 543 milhões de dívida, Gustavo Amaral Rossi já foi alvo da Polícia Federal. A corporação apurava suposto esquema do pai para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Sua offshore nas Ilhas Seychelles foi aberta em 2018, quando já era investigado.

Alberto Davi Matone, fundador do Banco Matone, deve R$ 92,8 milhões à União e é dono da Northbush Associates.

Mario Kenji Erie, dono das lojas de roupas Makenji, tem duas offshores: a Flufnstuf Services e a MRKG Enterprises.

Corina de Almeida Leite, dona da Cia Agropecuária Monte Alegre, é sócia da Adecoagro, offshore de Luxemburgo, e deve R$ 27,4 milhões na Dívida Ativa da União.

Outro nome é José Janene, que representou duas offshores no Panamá, a Corliss Enterprises e a Kleman Investments, ambas criadas em 2003.

Os primeiros nomes identificados no Brasil como detentores de contas clandestinas no exterior form o ministro da Economia e o presidente do Banco Central do governo Bolsonaro.

O Pandora Papers aponta para os dois homens mais poderosos do seu universo econômico: o ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nenhum dos dois divulgou publicamente suas operações offshore antes de assumir cargos nos quais participariam da tomada de decisões sobre esse tipo de investimento. Este possível conflito afeta especialmente o Ministro da Economia, que lidera uma reforma tributária que, em sua versão atual, reduziu a pressão sobre o dinheiro das pessoas físicas em paraísos fiscais.

Guedes, de 72 anos, aparece como acionista da empresa Dreadnoughts International Group, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Trata-se de uma shelf company, como são conhecidas no jargão financeiro: empresas fundadas em paraísos fiscais, mas que podem permanecer anos sem atividade à espera de que alguém lhes dê uma função. Os documentos mostram que o ministro, guru econômico do presidente Jair Bolsonaro, e uma das personalidades mais polêmicas do gigante sulamericano por suas conexões com a elite financeira, tinha em 2014 pelo menos 8 milhões de dólares (43,3 milhões de reais, pelo câmbio atual) investidos na companhia, registrada em seu nome e nos de sua esposa, Maria Cristina Bolívar Drumond Guedes, e da filha, Paula Drumond Guedes.

O presidente do Banco Central, Campos Neto, é dono de quatro empresas. Duas delas, Cor Assets e ROCN Limited, são registradas no Panamá em sociedade com sua esposa, a advogada Adriana Buccolo de Oliveira Campos. O objetivo declarado das empresas é investir nos ativos financeiros do Santander Private Bank, cujo conselho executivo Campos Neto integrou no passado. As outras offshores são Peacock Asset Ltda, gerida pelo banco Goldman Sachs, e que foi descoberta na investigação do Bahamas Leaks, de 2016. A quarta empresa é a Darling Group, que segundo o Banco Central informou em nota, é uma empresa de “gestão de bens imóveis”.

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