Entre túmulos de gente ilustre, jazigos de família, árvores e flores, a concessionária do cemitério São João Batistaem Botafogo, abriu espaço para a construção de uma lanchonete de uma conhecida franquia de mate e pão de queijo. Só esta semana o cemitério pediu autorização para fazer a obra à prefeitura, que determinou que a loja fique fechada até sua regularização.
Hoje, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, reagiu com irritação à notícia de que uma lanchonete fast food foi encrustada entre túmulos, a menos de um metro de algumas lápides:
– Se não demolir em 48hs, a prefeitura vai lá e faz! E multa pesada. É uma mistura de desrespeito, burrice, mau gosto com falta de civilidade e empatia – disse o prefeito no Twitter.

Antes de o primeiro salgado ser servido — a loja está em fase de acabamento —, a novidade já deu o que falar. Diretor da Associação de Moradores de Botafogo e do grupo SOS Patrimônio, André Decourt levou um susto ao se deparar com a construção de concreto, com cerca de oito metros de frente. Em fotos de 2015, o mesmo espaço abrigava um toldo sob o qual ficavam os caixões em carrinhos de transporte.
— Inicialmente, achei que pudesse ser uma estrutura de apoio para se colocar os caixões à espera de enterro. Ao me aproximar, vi que se tratava de uma lanchonete de uma franquia de rede, com cozinha. É surreal. Nunca vi isso em cemitério algum. Normalmente, comida se vende fora do campo-santo, nas capelas ou na administração. Fica a pergunta: como se irá combater a invasão de baratas necrófilas que tomam conta do cemitério à noite? — questiona.






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