Pacote de más notícias indica que o ano da eleição será trágico para Bolsonaro

As últimas 48 horas trouxeram ao governo federal notícias tão negativas e de longa duração que indicam que o ano de 2022, justamente aquele em que Bolsonaro buscará a reeleição, será certamente o mais difícil de seu mandato e ficará marcado por inevitáveis tragédias políticas e sociais. O governo anunciou ontem aumento imediato de 7%…

As últimas 48 horas trouxeram ao governo federal notícias tão negativas e de longa duração que indicam que o ano de 2022, justamente aquele em que Bolsonaro buscará a reeleição, será certamente o mais difícil de seu mandato e ficará marcado por inevitáveis tragédias políticas e sociais.

O governo anunciou ontem aumento imediato de 7% nas contas de luz comerciais e residenciais, que se estenderá pelo menos até abril do ano que vem, e desconversou quando cobrado sobre o risco de apagão e racionamento, que especialistas já abordam como inevitáveis.

Na proposta de orçamento para 2022 enviada ao Congresso, a União informou que o salário mínimo, renda média da esmagadora maioria do povo brasileiro e motor do funcionamento da economia, não terá reajuste maior do que a inflação deste ano.

Também anunciou que o até aqui prometido ruidosamente “novo Bolsa Família”, com nome novo e aumento dos beneficiados e dos valores pagos, não terá reajuste algum no ano que vem, nem receberá novos usuários, o que agravará a miséria que trouxe de volta a fome a milhões de lares brasileiros.

Ainda avisou aos servidores públicos de todo o país, o que por equiparação pode incluir funcionários públicos estaduais e talvez municipais, que, por mais um ano, não haverá um centavo sequer de reajuste salarial.

Além disso, o orçamento reduz as verbas previstas para obras públicas, o que pode paralisar ações em infraestrutura, mobilidade, construção de moradias e estradas.

O desemprego, que se aproxima de um contingente de 15 milhões e acrescenta 32 milhões de trabalhadores informais, não dá sinais de recuperação firme, apesar de melhoras episódicas em consequência de uma inibida retomada do comércio.

A inflação, sobretudo por pressão dos alimentos, dos combustíveis e, agora, das tarifas de energia, já bate na casa dos 10% em várias capitais e é neste patamar que pode começar 2022.

Ao mesmo tempo, como se não bastasse, embora acuados por ameaças do governo, como a que a Caixa fez contra os bancos que se atreveram a considerar a ideia de lançar um manifesto crítico, mas recuaram às pressas, os empresários começam a fazer beicinho e a perder a paciência com o monstro que criaram.

O caldo pode engrossar ainda mais diante da hipótese, cada vez mais presente, de que alguém da família Bolsonaro venha a ser julgado e condenado por corrupção, que também ganhou o nome de rachadinhas. Ontem, Carlos Bolsonaro tornou-se alvo da Justiça no Rio de Janeiro por este crime, acusado de empregar pelo menos 17 parentes de outro servidor, que teriam devolvido ao filho do presidente a maior parte dos salários recebidos na Câmara Municipal..

O colunista de economia Vinicius Torres Freire, da Folha, ensaia uma análise da situação noticiada ontem e suas consequências para o ano da eleição:

“Não tem dinheiro para aumentar o valor do Bolsa Família ou pagar o benefício a mais gente. Corta-se pela metade o valor das emendas que os congressistas podem destinar a projetos de seu interesse. Subestima-se o aumento de despesas devido ao reajuste do salário mínimo (reajuste apenas pela inflação: não vai haver reajuste real para o salário nem para o piso de benefícios sociais, como os da Previdência). Não prevê dinheiro bastante para o fundo eleitoral que o Congresso quer. É otimista demais quanto ao crescimento da economia.

“Ou seja: tende a haver mutreta para acomodar muita despesa politicamente sensível, um arranjo qualquer entre o Congresso, Jair Bolsonaro e a Justiça. Se não houver mumunha, Bolsonaro ficará um tanto mais frito, sem dinheiro para seu pacote eleitoral e para pagar o aluguel do centrão.

(…)

“É certo que, sem aumentar o Bolsa Família, haverá fome ainda mais feia (no curto prazo, quase não há de onde mais tirar dinheiro). De resto, nem é preciso dizer que o dinheiro para investimento “em obras” mingua a quase nada ou que a penúria na ciência, educação e tecnologia será a mesma de 2021.

“O problema é que se faz tudo à matroca, por meio de gambiarra politiqueira, o que terá sequelas, como o descrédito e a ruína progressiva do país”

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