Otoni de Paula critica intolerância religiosa e denuncia silêncio diante de ataques a terreiros

Deputado grava vídeo nas redes sociais no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e cobra tratamento igual entre as crenças

No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) publicou um vídeo nas redes sociais em que faz um duro alerta sobre a forma desigual com que crimes de ódio religioso são tratados no Brasil. Segundo ele, a data não deve ser apenas simbólica, mas servir como reflexão prática sobre o respeito às diferentes manifestações de fé.

No vídeo, o parlamentar afirma que episódios de violência contra terreiros de religiões de matriz africana seguem sendo relativizados ou silenciados, enquanto ataques a templos de outras denominações provocariam reação imediata da sociedade. Para Otoni, essa diferença de postura evidencia preconceito e intolerância.

“O crime é o mesmo, muda apenas o endereço”

Ao abordar o tema, Otoni de Paula propõe uma comparação direta. Ele questiona qual seria a reação pública se alguém invadisse uma igreja evangélica e destruísse símbolos religiosos em nome de outra fé. “A revolta seria imediata, e com razão”, destaca. Em seguida, aponta que, quando situações semelhantes ocorrem em terreiros, o tratamento costuma ser outro.

“Muda o endereço, muda o discurso, mas o crime continua sendo o mesmo”, afirma o deputado no vídeo, ressaltando que invasões, depredações e agressões configuram intolerância religiosa independentemente da crença envolvida.

Fé não pode ser usada para justificar violência

O parlamentar também critica o uso do discurso religioso para legitimar atos de violência. Segundo ele, práticas que invadem, destroem e humilham não podem ser classificadas como testemunho cristão ou expressão de fé.

Para Otoni de Paula, ações desse tipo não se tornam aceitáveis por serem cometidas “em nome de Jesus” ou de qualquer outra religião. “Respeitar a crença do outro não diminui a minha fé”, afirma, defendendo que a convivência religiosa é um princípio básico da democracia e dos direitos humanos.

Data deve ir além do calendário

Ao final da mensagem, o deputado reforça que o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa precisa ser compreendido na prática, com atitudes concretas da sociedade e do poder público. Para ele, lembrar a data sem enfrentar o problema de forma efetiva mantém a repetição de episódios de discriminação e violência.

A manifestação de Otoni de Paula se soma a outras iniciativas que buscam ampliar o debate sobre liberdade religiosa no país e combater a naturalização de ataques contra grupos historicamente vulnerabilizados.

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