Os três municípios com pior tempo de deslocamento para o trabalho ficam na Baixada Fluminense; saiba quais são

Na cidade campeã, moradores chegam a demorar 2 horas para chegar ao trabalho, diz IBGE

A cidade de Queimados, na Baixada Fluminense, é a campeã nacional em tempo de deslocamento casa-trabalho entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. De acordo com o Censo de 2022, divulgado nesta quinta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 12,5% dos trabalhadores queimadenses gastam mais de duas horas por dia apenas para chegar ao emprego.

Com população de 140,5 mil habitantes e localizada a cerca de 50 quilômetros da capital, Queimados lidera um ranking que revela as dificuldades de mobilidade enfrentadas por milhões de brasileiros. Segundo o IBGE, 1,3 milhão de pessoas no país (ou 1,8% da força de trabalho) demoram mais de duas horas para chegar ao trabalho, enquanto a maioria (56,8%) leva entre seis minutos e meia hora.

Baixada Fluminense concentra piores índices

A Grande Rio é a região metropolitana com maior proporção de trabalhadores que enfrentam longos deslocamentos até o trabalho: 5,6% dos ocupados levam mais de duas horas para chegar ao emprego. Depois de Queimados, as piores situações também estão na Baixada Fluminense — Nova Iguaçu aparece em segundo lugar (11,8%) e Belford Roxo em terceiro (10,8%).

A pesquisa do IBGE considerou preferencialmente o tempo gasto da residência até o local de trabalho. Quando o trabalhador relatou o uso de mais de um meio de transporte, o tempo final somou todas as etapas, inclusive o trajeto a pé. Foram incluídas apenas pessoas com 10 anos ou mais que exerciam atividades remuneradas fora do domicílio na semana de referência.

Em Queimados, os 12,5% que levavam mais de duas horas representam 5.545 pessoas. Outros 27,3% (12.101) disseram gastar de uma a duas horas; 22,5% (9.965) entre 30 minutos e uma hora; 32,7% (14.495) entre seis minutos e meia hora; e 4,4% (1.970) até cinco minutos.

Entre os meios de transporte, 31,6% dos trabalhadores utilizavam ônibus, 19,9% faziam o percurso de trem ou metrô, e 16,2% usavam automóvel próprio.

Prefeitura de Queimados diz ter reduzido tempo de trajeto

Em nota, a Prefeitura de Queimados afirmou que implantou uma nova linha de ônibus até a estação de metrô da Pavuna, na zona norte do Rio de Janeiro — o ponto mais próximo da Baixada Fluminense com conexão à capital. Segundo o município, a medida reduziu em quase duas horas o tempo de deslocamento diário dos passageiros, considerando ida e volta.

A gestão do prefeito Glauco Kaizer (União) informou ainda que pediu ao governo estadual a criação de novas linhas ligando Queimados à zona oeste do Rio e que realiza mutirões de emprego no próprio município, como forma de reduzir a dependência dos moradores em relação às cidades vizinhas.

Cidade-dormitório e desafios da mobilidade

Um plano de mobilidade urbana elaborado em 2023 pelo instituto Rio Metrópoles, vinculado ao governo estadual, traçou um diagnóstico detalhado da infraestrutura de transporte do município. O estudo classificou Queimados como uma “cidade-dormitório”, na qual a maioria dos moradores se desloca diariamente para o Rio de Janeiro e outras cidades da Baixada em busca de trabalho.

Nova Iguaçu, da qual Queimados se emancipou em 1990, foi identificada como o principal destino das viagens por transporte público, seguida da capital fluminense. O município possui uma estação da SuperVia, além de sistemas de ônibus municipais e intermunicipais. Até 2022, no entanto, Queimados não contava com terminais rodoviários, faixas exclusivas de ônibus ou integração com o trem — o que, segundo o estudo, faz com que o sistema ferroviário “não seja aproveitado em sua plenitude”.

Naquele ano, a frota local era composta por 20 linhas municipais (com 67 veículos) e 30 linhas intermunicipais com destino a outras cidades da Baixada e bairros do Rio. Os trens, com intervalos de cerca de 10 minutos nos horários de pico, seguiam até a Central do Brasil.

Rodovia e linha férrea criam gargalos urbanos

O sistema viário de Queimados enfrenta limitações estruturais. A cidade é cortada pela rodovia Presidente Dutra e pela linha férrea, que atuam como barreiras físicas à mobilidade urbana. Uma das principais avenidas locais tem passagem subterrânea com altura limitada para caminhões, provocando engarrafamentos frequentes. Outras alças de acesso à Dutra possuem apenas uma faixa de rolamento, criando gargalos constantes para o trânsito de ônibus e veículos de carga.

O levantamento estadual também apontou que a preferência da população ainda é o transporte rodoviário. Em outubro de 2022, foram registrados 1,8 milhão de embarques em ônibus intermunicipais, contra 339.448 embarques na estação ferroviária de Queimados no mesmo período.

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