Saiba onde há mais católicos, evangélicos, umbandistas e espíritas no estado do Rio, segundo o IBGE

Catolicismo segue em queda enquanto evangélicos ampliam presença e religiões de matriz africana ganham espaço no estado

Os dados do Censo 2022, divulgados no início de junho pelo IBGE, revelam uma mudança consolidada no perfil religioso dos brasileiros e, em especial, dos moradores do estado do Rio de Janeiro. A proporção de evangélicos alcançou o maior patamar da série histórica, com 26,9% da população nacional, enquanto os católicos, embora ainda sejam maioria (56,7%), seguem em queda. No Rio, esse movimento é ainda mais acentuado: o estado tem a segunda menor proporção de católicos do país, com 38,9% da população, e 32% de evangélicos.

Com base nas informações levantadas pelo IBGE, o jornal O GLOBO mapeou os municípios fluminenses com as maiores concentrações por religião e as principais variações nas últimas décadas, revelando a diversidade e o deslocamento de diferentes tradições religiosas pelo território fluminense.

Católicos em queda, mas ainda presentes no interior

As cidades com maior presença católica estão, em sua maioria, no interior do estado, especialmente no Norte e Noroeste Fluminense. Varre-Sai lidera o ranking, com 75,3% dos seus 10.207 habitantes declarando-se católicos. A fé católica na cidade é representada por festas tradicionais, como a de São Sebastião, e pelo monumento do Alto de Santo Cristo, erguido a mais de mil metros de altitude.

Outros municípios com elevada concentração de católicos incluem Laje do Muriaé (72,3%), São João da Barra (67,2%), Miracema (66,2%) e São Sebastião do Alto (65%). Na Região Metropolitana, os percentuais são mais baixos: Niterói lidera com 44,9%, seguida pela capital (43,6%) e São Gonçalo (35,2%).

Apesar da tendência de queda geral, cinco municípios fluminenses registraram crescimento na proporção de católicos, com destaque novamente para Varre-Sai, que teve aumento de oito pontos percentuais desde 2010. As cidades de São João da Barra, Cardoso Moreira, Rio das Flores e Italva também apresentaram crescimento. Em contrapartida, Quatis teve a maior redução percentual de católicos.

Crescimento evangélico lidera no Centro-Sul e na Baixada

A cidade de Paty do Alferes, na região Centro-Sul Fluminense, tem a maior proporção de evangélicos do estado: 48% da população com 10 anos ou mais. O município instituiu inclusive o Dia do Evangélico como feriado local, celebrado em 15 de janeiro.

São José do Vale do Rio Preto (47,1%) e Paracambi (46,8%) aparecem em seguida. Municípios da Baixada Fluminense também figuram entre os mais evangélicos: Seropédica (46,3%), Queimados (44,6%), Itaboraí (44,2%), Duque de Caxias (40,4%) e Nova Iguaçu (40,2%).

O avanço evangélico foi expressivo em Sumidouro, na Região Serrana, onde o número de fiéis aumentou 14,06 pontos percentuais, chegando a 45,5% da população e ultrapassando os católicos (42,4%). Por outro lado, em Varre-Sai, que lidera em catolicismo, os evangélicos perderam espaço: a queda foi de 6,29 pontos percentuais.

Religiões de matriz africana se destacam em Barra do Piraí e Nilópolis

Entre as religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, duas cidades aparecem no topo do estado: Barra do Piraí, no Médio Paraíba, e Nilópolis, na Baixada Fluminense, ambas com 3,7% da população adepta dessas crenças. Em Barra do Piraí, a presença negra e quilombola está diretamente ligada à tradição religiosa, reforçada por manifestações culturais como o jongo. Já em Nilópolis, a presença da escola de samba Beija-Flor e o mapeamento recente de casas de matriz africana revelam a importância dessas práticas no cotidiano local.

Logo atrás, aparecem os municípios do Rio de Janeiro e de Mesquita, com 3,6% de umbandistas ou candomblecistas.

Espiritismo e tradições indígenas também têm espaço

Niterói é a cidade com maior percentual de espíritas no estado: 5,9% dos moradores se declararam seguidores da doutrina codificada por Allan Kardec. Já Paraty, no Sul Fluminense, é o município com maior proporção de pessoas ligadas a tradições indígenas, com 0,3% da população — reflexo da presença de povos guaranis e pataxós na região.

Sem religião: Japeri e Belford Roxo lideram

Entre os que afirmaram não seguir nenhuma religião, o destaque vai para cidades da Baixada Fluminense. Japeri tem 31% dos moradores nessa condição, enquanto Belford Roxo aparece em segundo lugar com 27%. Esses dados indicam uma parcela crescente da população que se identifica com posições religiosas mais fluídas ou se distancia das práticas formais de fé.

O novo retrato desenhado pelo IBGE mostra não apenas uma mudança nos números, mas um processo contínuo de transformação nas expressões de religiosidade no Brasil e no Rio de Janeiro, marcado por pluralidade, deslocamentos regionais e identidades diversas que seguem em constante construção.

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