Os diferentes lados de uma mesma campanha ao senado no Rio de Janeiro

*Paulo Baía  Em uma campanha eleitoral majoritária para o senado existe aquilo que é dito, falado, festejado, proclamado aos quatro ventos e em todas as plateias. Também existe o quase não dito, aquilo que fica reservado. Não é clandestino e/ou secreto, mas é sombreado. Todas as candidaturas majoritárias possuem um lado ON e um lado…

*Paulo Baía 

Em uma campanha eleitoral majoritária para o senado existe aquilo que é dito, falado, festejado, proclamado aos quatro ventos e em todas as plateias. Também existe o quase não dito, aquilo que fica reservado. Não é clandestino e/ou secreto, mas é sombreado. Todas as candidaturas majoritárias possuem um lado ON e um lado OFF. Isso não é ruim, ilícito, antiético, bom e/ou excepcional, é da regra do jogo eleitoral, da mesma forma que num campeonato de futebol por pontos corridos muitas vezes você torce e apoia equipes concorrentes para facilitar sua ascensão na tabela, como os palmeirenses torcendo a favor do Ceará para o Flamengo não subir na tabela e se aproximar do Palmeiras, dias atrás.

Faz parte do jogo, é essencial nos certames futebolísticos e pleitos eleitorais.

A candidatura de André Ceciliano/PT tem esses dois componentes de maneira visível, ativa e forte.

André Ceciliano é proclamado, festejado com o apoio público, incondicional de Lula da Silva a sua campanha, como seu único candidato ao senado no estado do Rio de Janeiro.

André Ceciliano é um candidato orgânico do Partido dos trabalhadores, portanto não é simplesmente o candidato oficial do PT. Ele é candidato orgânico do partido, de seus filiados, simpatizantes e colaboradores, não é um nome burocrático para a composição de uma chapa, como o preclaro e experiente candidato Marcelo Itagiba, do partido Avante.

Ser um candidato orgânico é importante em função do comprometimento das estruturas do Partido dos Trabalhadores no estado do Rio de Janeiro, e ainda  ter o apoio incondicional de Lula, o que o torna um candidato da estratégia nacional da campanha Lula/Geraldo Alckmin.

Como em toda campanha majoritária, o escopo da campanha é bem mais larga e elástica que a estrutura do partido base. No caso de André Ceciliano o PT/RJ e sua coligação com a Federação Brasil da Esperança, formada por PT/PC do B/PV, pela Federação PSDB e Cidadania e pela Federação PSOL/Rede.

Um candidato ao senado no estado do Rio de Janeiro e nos demais estados da federação precisa de uma ampla aliança e apoios dos mais diversificados. Quando mais ampla for a rede de apoios, melhor.

Uma campanha majoritária exige amplitude, daí o lado OFF, não clandestino, não secreto, à luz do dia, para além do lado ON orgânico. Um o lado quase não dito, não badalado pelos sinos de todas das igrejas do lado orgânico, porém não clandestino, exposto ao sol no jardim das alianças,  que são em especiais setoriais, corporativas e/ou locais.

André Ceciliano tem um grande capital político como homem público de diálogo e da articulação como presidente da ALERJ por mais de 4 anos consecutivos, atrai para sua campanha a simpatia e o apoio de 53 deputados estaduais dos 70 da ALERJ. Por sua história de vida, André Ceciliano é o candidato ao senado que tem a simpatia e a torcida de 31 deputados dos atuais 46 deputados federais. Não vou falar nesse artigo das nominatas de deputados dos diversos partidos, quase a totalidade das nominatas  gostam da ideia de ver André Ceciliano eleito senador no dia 02/18/22. Não tenho a conta exata, mas são milhares de apoiadores e simpatizantes de André Ceciliano de maneira espontânea.

André Ceciliano tem a simpatia e apoio de pelo menos 58 prefeitos do Estado do Rio de Janeiro, 58 municípios  de 92, em que seu trabalho foi profícuo e viabilizou a vida da municipalidade como parlamentar amplo, do diálogo e da não discriminação partidária ao prefeito. André Ceciliano focou no interesse público e bem estar da população local. Vem daí o apoio espontâneo que possui dos prefeitos, que se espelha no igual apoio da maioria absoluta dos atuais vereadores desses 58 municípios, que apoiam André Ceciliano independentemente dele ser o candidato orgânico chancelado pelo PT/RJ e ser o candidato oficial de Lula da Silva.

André Ceciliano como presidente da ALERJ foi efetivamente republicano, pelo ponto de vista institucional e pluripartidário, focando no interesse público.

O fato de ter a simpatia e o apoio espontâneo de todos esses agentes políticos possui um significado de republicanismo, de ser um baluarte do interesse público em primeiro lugar e não da mesquinharia política de grupelhos políticos partidários uns contra os outros, em especial nos municípios. Esse protagonismo em prol do estado do Rio de Janeiro fez a força de André Ceciliano como grande conciliador.

Em comparação, a candidatura de Romário/PL, fortíssimo candidato, bom senador até agora,  que hoje lidera a preferência do eleitorado, é o mais citado nas pesquisas de opinião, é prioritário nas escolhas da população, é uma candidatura solo, uma candidatura isolada de Romário por Romário. O que não é ruim, nem pejorativo, é um estilo de individualismo altruísta de celebridade, que decide sozinho, como o fez no futebol e no parlamento. Romário não é o candidato de uma estrutura partidária, Romário não é o candidato de um grupo político, Romário é um homem bem intencionado, de sucesso em carreira solo, para defender o que ele acredita ser o justo para a população do RJ. Está no Partido Liberal, mas poderia estar em qualquer outro partido que o aceitasse como ele é, autônomo. Romário é Romário, Romário é o cara que mata no peito e chuta pro gol. Não importa o partido e as redes de apoio, simpatia e solidariedade, Romário é em si o seu próprio partido e grupo político, o candidato de Romário é Romário.

Não descaracterizem, não subestimem a capacidade solo de Romário como competidor ao senado pelo Rio de Janeiro. É um estilo próprio de fazer política, que vem dando certo há 12 anos com conquistas legislativas de impacto social amplo.

Hoje, início de setembro, está em primeiro lugar, muito bem colocado em todas as pesquisas de opinião. Romário é Romário e tem fã clube, tem torcida própria presente em todos os partidos, grupos políticos e societais.

A situação de Romário hoje é tão privilegiada, em primeiro lugar nas pesquisas, que se  Romário caisse 15% continuaria em primeiro lugar.

Não subestimem Romário por ser exclusivamente Romário, um individualista altruísta no dia-a-dia do mundo da política e do parlamento.

Se nada de excepcional acontecer  até o dia 30 de setembro, Romário  é o mais provável vencedor da eleição para o senado em 2022. Sua candidatura solo e articulada fala diretamente para vários segmentos da sociedade civil, várias ONGs e vários trabalhos sociais. Ao fim e ao cabo, Romário é um defensor do interesse público de maneira solo.

Romário tem meu respeito, respeito Romário como parlamentar e como grande candidato, um competidor aguerrido na eleição de 2022 para  sua reeleição ao senado, embora não concorde com seu individualismo, mesmo altruísta.

Clarissa Garotinho/União Brasil é uma candidatura diferente, é uma candidata de um grupo político articulado, bem estruturado. Um grupo político com objetivos táticos e estratégicos de curto, médio e longo prazo bem delineados, que não são os do Partido União Brasil. É um grupo político abrigado no Partido União Brasil, que ganha bastante com essa hospedagem – ganha facilidades eleitorais que são de Clarissa Garotinho e de seu grupo político, não são do União Brasil. 

O União Brasil tem o maior tempo de televisão e rádio, além do maior fundo eleitoral de financiamento público de campanha. Clarissa Garotinho é uma candidatura forte, que tem carisma pessoal, está fazendo uma campanha muito bem desenhada no campo conservador do Estado do Rio de Janeiro. Sua  propaganda na televisão e no rádio é primorosa e impactante, no sentido de atrair para si a preferência do eleitor conservador,  um eleitor que é majoritário no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil.

Clarissa Garotinho tem apoios em todos os partidos e segmentos sociais. É sua área OFF não secreta, não clandestina, a ponto do PL de Jair Bolsonaro estar morrendo de inveja e entrar na justiça eleitoral contra as aparições de Clarissa Garotinho no cercadinho do PL.

Assim, temos Romário como um grande combatente, com apoio integral do próprio Romário. Temos Clarissa Garotinho como uma grande competidora, com apoio integral, irrestrito de Jair Bolsonaro e temos André Ceciliano como um excelente competidor com apoio integral, exclusivo, de Lula da Silva.

Romário, Clarissa Garotinho e André Ceciliano são os principais candidatos a única vaga ao senado nesse ano de 2022.

Cabo Daciolo é um candidato solo que tem uma preferência popular considerável, grande, mas ficará na faixa entre 5% a 8% dos votos, uma boa votação. Cabo Daciolo tem como missão política uma missão religiosa, uma “missão divina”. Cabo Daciolo vai ajudar e muito a eleição de vários deputados estaduais e federais no PDT e em vários outros partidos como candidatura solo, como a de Romário, com um projeto particularizado de poder que foi hospedado pelo PDT de Carlos Lupi e Ciro Gomes.

Alessandro Molon/PSB é uma candidatura de tipo novo. É individualizada, altruísta, como a de Romário e Cabo Daciolo ao mesmo tempo que é orgânica/oficial do PSB, que não o quer candidato, mas referendou Molon em convenção democrática sem restrições. Terá um bom desempenho eleitoral, podendo chegar a 10% dos votos válidos, por sua história de vida, imagem pública, votos de petistas, do PSOL e do mundo artístico. curiosamente a área OFF de Alessandro Molon é o PSB, seu partido.

Daniel Silveira/PTB é o Daniel Silveira e ponto final, não se sabe se será candidato para valer.

A presença formal de Daniel Silveira no pleito se encaixa na metáfora  dos palmeirenses torcendo a favor do Ceará para o Flamengo não subir na tabela e se aproximar do Palmeiras. Faz parte do jogo, é essencial nos certames futebolísticos e campanhas eleitorais.

Daniel Silveira atrapalha Clarissa Garotinho e Romário. Não os coloca em risco, mas é uma pedra nos sapatos e lhes tira votos.

Quando sou perguntado, como num programa de TV no início de setembro, qual será o melhor senador para o RJ entre André Ceciliano, Clarissa Garotinho e Romário, digo que os três seriam bons senadores, um não seria melhor que o outro. Seriam diferentes, cada um a seu estilo e com projetos próprios.

A segunda entrevistadora pergunta qual o mais qualificado dos três, respondo que os três são extremamente qualificados, Romário está aí para demostrar isso.

Aí o entrevistador me pergunta de maneira mais enfática: mas dos três qual o que você mais gostaria de ver senador pelo RJ, qual sua preferência pessoal?

Minha resposta é curta e direta. Sem desqualificar Romário e Clarissa Garotinho, minha preferência é ter André Ceciliano como senador às 22h do dia 02 de outubro de 2022.

André Ceciliano é o nome de que eu gosto, é a minha preferência exclusivamente pessoal.

*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.

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